Paralelo 29

Transferência de irmã Lourdes contradiz Evangelho cristão, diz Valdeci

Foto: Divulgação,ALRS

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (Alrs), Valdeci Oliveira (PT), criticou a transferência da irmã Lourdes Dill, ex-coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança, para o Maranhão. Na manhã de sábado (2), o deputado santa-mariense entregou a medalha do Mérito Farroupilha à religiosa, em ato realizado em Santa Maria.

“O evangelho verdadeiro de Cristo nos diz que devemos apoiar quem inclui e não quem exclui. Não sei se esta ação da ida da irmã Lourdes para o Maranhão não contradiz um pouco o evangelho”, disse o deputado para o público que acompanhava a solenidade no Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter.

O deputado santa-mariense, que acompanhou o nascimento do Projeto Esperança/Cooesperança e da Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop), lembrou que irmã Lourdes tem 70 anos e que ela poderia ter sido transferida para um local mais próximo de seus familiares e amigos.

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“Por que não deixá-la mais perto de sua gente?

“Não sei se é justo mandar ela lá para os fundos do Maranhão. Por que não deixar ela mais próxima da sua família, da sua gente?”, questionou Valdeci, que é católico e começou sua militância política em movimentos pastorais.

Assim que entregou o Mérito Farroupilha à religiosa, sob aplausos do público, o presidente da Assembleia Legislativa, disse que, mesmo sendo a maior condecoração do Parlamento gaúcho, a medalha “é extremamente pequena diante do que representa irmã Lourdes”.

Sem se referir nominalmente ao arcebispo metropolitano de Santa Maria, dom Leomar Brustolin, Valdeci disse que, talvez, o tempo dará respostas sobre os motivos para a transferência de irmã Lourdes de Santa Maria.

A homenagem à irmã Lourdes Dill foi realizada juntamente com a celebração dos 30 anos do Feirão Colonial. Além de Valdeci, outras lideranças participaram, entre elas os deputados federais Paulo Pimenta (PT), que é de Santa Maria, e Elvino Bohn Gass (PT), e os ex-deputados Selvino Heck (PT) e Frei Sérgio (PT), todos ligados à economia solidária.

Deputado Valdeci Oliveira citou evangelho cristão para questionar decisão da Igreja Católica/Foto: Divulgação, ALRS

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Projeto está no DNA da Diocese, diz irmã Lourdes

Em seu pronunciamento de despedida, irmã Lourdes também mandou recados. A religiosa destacou que foram realizadas 1.750 edições do Feirão Colonial em 30 anos do projeto, que nasceu de uma iniciativa do então bispo diocesano de Santa Maria dom Ivo Lorscheiter, em 1º de abril de 1992.

“Esse projeto faz parte do DNA da Arquidiocese”, afirmou irmã Lourdes, relembrando que dom Ivo foi quem escolheu a área, que ficava em um local abandonado onde passava uma sanga.

Em outra parte do discurso, a ex-coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança afirmou que sempre atuou ouvindo feirantes e integrantes da coordenação.

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“Nunca trabalhei sozinha”

“Ao longo desses 35 anos, nunca trabalhei sozinha”, ressaltou a homenageada em uma resposta a críticas de bastidores de que ela seria personalista e decidida tudo por sua conta.

Na mesma linha, irmã Lourdes também refutou afirmações de que ela teria diálogo somente com partidos e movimentos políticos de esquerda.

“Se alguém fala que eu trabalho só com um lado, tá falando mal”, disse a religiosa, que minutos antes de receber a homenagem, teve um encontro com o prefeito Jorge Pozzobom (PSDB), que foi ao Centro de Referência de Economia Solidária para se espedir da irmã.

Irmã Lourdes disse que sempre ouviu integrantes do projeto e que tem diálogo com todos os segmentos políticos/Foto: ALRS, Divulgação

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“Aprendi muito com ela”, diz prefeito de Santa Maria

“A irmã Lourdes Dill cumpriu uma missão muito bonita. Ela ensinou muita gente, inclusive a mim, sobre a economia solidária e sobre a importância da agricultura familiar. Aprendi muito com ela. Assumo o compromisso absoluto de, enquanto for prefeito, prover tudo o que a Feicoop precisar. O nosso objetivo, neste ano, é fazer uma das maiores feiras da história, reafirmando o título de Santa Maria como Capital Mundial da Economia Solidária”, afirmou Pozzobom, que não pôde ficar na solenidade e foi representado pelo chefe de Gabinete, Alexandre Lima.

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Religiosa lembra tragédia da Kiss

 Ainda em suas palavras de despedida, irmã Lourdes lembrou da tragédia da boate Kiss em que 242 pessoas perderam a vida em um incêndio na madrugada de 27 de janeiro de 2013.

Desde o primeiro momento, irmã Lourdes esteve com pais e sobreviventes, participando de atividades em apoio aos familiares e aos que conseguiram escapar com vida do incêndio. A religiosa ainda pediu o fim da pandemia de Covid-19 e lamentou os conflitos mundiais, como a guerra entre Rússia e Ucrânia.

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Mil abraços em 30 de maio

Irmã Lourdes viajou no final de semana para visitar familiares e cumprir outros compromissos. Ela retorna no próximo dia 30 a Santa Maria, quando receberá outras homenagens. Grupos de economia solidária e movimentos sociais estão organizando um ato de despedida com “mil abraços” em irmã Lourdes.

No dia 2 de maio, a ex-coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança viajará para o Maranhão. Ela vai atuar no município de Barra do Corda, que pertencente à Diocese de Grajaú. A nova cidade de Irmã Lourdes fica a 450 km da capital São Luís (por estrada).

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