Uma sub-linhagem potencialmente mais transmissível da variante ômicron do coronavírus, causador da Covid-19, foi encontrada no Rio Grande do Sul.
A conclusão está no informe da Rede Corona-Ômica BR- MCTI, a partir de análises realizadas no Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Feevale, que foi divulgado nessa sexta-feira (27). Essa variante, batizada de XQ, é uma recombinação entre as linhagens BA.1.1 e BA.2, já está circulando em território gaúcho.
A Feevale identificou e sequenciou 40 genomas completos de SARS-Cov-2 de amostras coletadas em municípios das regiões Metropolitana, Vale dos Sinos, Serra e Vale do Caí.
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Mais resistente às vacinas
O pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Feevale e coordenador da Rede Corona-Ômica BR-MCTI, Fernando Spilki, explica que foi possível demonstrar que a VOC Ômicron é predominante desde janeiro deste ano, acompanhando o cenário mundial da pandemia.
“Ela é composta por várias sub-linhagens, e este estudo constatou que a proporção de sequências relatadas globalmente designadas como BA.2 tem aumentado em relação à BA.1 (sub-linhagem predominante até então)”, afirma Spilki.
“Alguns estudos demonstram que a sub-linhagem BA.2 seria mais transmissível do que a BA.1 e mais eficiente em infectar pessoas vacinadas e com uma terceira dose de reforço do que as variantes anteriores”, alerta o pesquisador.
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Além disso, sequências recombinantes têm sido relatadas mundialmente, como por exemplo: a variante XD, recombinante entre as linhagens Delta e Omicron (“Deltacron”); as XG e XE, recombinantes das linhagens BA.1 e BA.2, porém com mutações diferentes; e a XQ, recombinante entre as linhagens BA.1.1 e BA.2, detectada neste estudo (3 amostras) e que foi relatada pela primeira vez no Brasil (São Paulo), em abril deste ano.
A expansão da variante BA.2 e da recombinante XQ no Estado também são observáveis a partir de dados inseridos na plataforma internacional Gisaid por outros grupos do Rio Grande do Sul.
“A circulação de diferentes variantes e sub-linhagens é concomitante a um aumento considerável no número de casos no Estado e reforça a necessidade de cautela em relação a esse momento da pandemia”, completa Spilki.

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Novos Avisos para todo o RS
Na quarta-feira (25), o governo gaúcho emitiu novos Avisos para todas as 21 regiões, alertando sobre o aumento de casos de Covid-19, após um período de queda e de estabilidade. É a segunda semana com emissão de Avisos para todo o Rio Grande do Sul.
De acordo com o governo estadual, houve uma piora nos indicadores de Covid-19 depois de nove semanas sem Avisos ou Alertas no sistema 3As de Monitoramento da pandemia.
Conforme o monitoramento feito por equipes do GT Saúde, o aumento do número de infecções já se reflete no número de internados em leitos clínicos.
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Aumento do número de pacientes e de internados
Entre suspeitos e confirmados em território gaúcho, houve um aumento de 320 pacientes nas últimas duas semanas, o que equivale a 83%. O número de internados também subiu na semana – eram 50 pacientes a mais, entre suspeitos e confirmados, na quarta-feira.
“É um momento preocupante. Esse período de contaminação se assemelha ao que vivemos quando da chegada da variante ômicron, embora ainda não haja um reflexo nas internações na mesma proporção. Temos de evitar uma piora maior e precisamos contar com o apoio de toda a sociedade”, ressalta o governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB).
Esse rápido aumento de casos, conforme observado em períodos anteriores, costuma trazer reflexos em internações e mortes. Somado à ocorrência de outras doenças respiratórias, comuns durante os meses de outono e inverno no Rio Grande do Sul, e de casos de dengue, é possível que ocorra alta na procura por leitos de hospitais.
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Isso reforça ainda mais a importância de que a população busque a dose de reforço e a segunda dose da vacina contra a covid-19. Cerca de 80% da população residente no Rio Grande do Sul está com o esquema vacinal primário (duas doses) completo, mas apenas 50,5% tomou a dose de reforço, completando o esquema vacinal.
“Vacina é proteção. Precisamos avançar na cobertura vacinal com o objetivo evitar agravos, seja da influenza, seja da covid-19. A vacina evita doenças graves que podem levar pessoas a hospitalização. Previnam-se, busquem uma unidade de saúde no seu município”, alertou a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann.
Além da imunização, o governo do Estado reforça a importância do uso da máscara como prevenção contra a Covid-19. Embora não seja mais obrigatória, o uso segue recomendado em aglomeração, especialmente por pessoas com a saúde debilitada ou que pertençam aos grupos de risco.
Em decorrência da piora dos indicadores, a reunião do Gabinete de Crise, que havia passado a ser quinzenal, voltará a ser semanal a partir da próxima semana.
(Com informações da Feevale e do governo do RS)

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