A covid-19 matou duas crianças menores de 5 anos de idade, por dia, no Brasil, desde o início da pandemia de coronavírus. No total, 599 crianças nessa faixa etária morreram pela covid-19 em 2020. Esse número elevou-se para 840, em 2021, quando a letalidade da doença aumentou em toda a população. Em Santa Maria, uma criança de 4 anos de idade morreu no início de abril,
Nos dois primeiros ano do surto sanitário, 1.439 crianças de até 5 anos morreram por causa da covid-19 no país. A Região Nordeste concentra quase metade desses óbitos.

Conforme boletim que a Prefeitura de Santa Maria divulgou em 5 de abril deste ano, uma das vítimas era uma criança do sexo masculino com 4 anos. Ela tinha doença neurológica crônica e imunodepressão.
Em 26 de março, o menino recebeu o diagnóstico positivo para a covid-19. No dia seguinte, foi internado na UTI do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). A criança acabou não resistindo e morreu em 4 de abril.
Anticorpos contra Covid podem passar para bebês pelo leite materno
Entre janeiro e junho, foram 291 mortes
Dados preliminares divulgados pelo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde confirmam que a média de duas mortes diárias se mantém este ano. Entre janeiro e 13 de junho de 2022, o Brasil registrou 291 mortes por covid-19 entre crianças menores de 5 anos.
Os dados de 2020 e 2021, coletados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e revistos pelo Ministério da Saúde e secretarias estaduais e municipais de Saúde, foram analisados pelos coordenadores do Observatório de Saúde na Infância – Observa Infância, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Cristiano Boccolini e Patricia Boccolini.
O observatório quer ampliar o acesso à informação qualificada e facilitar a compreensão sobre dados obtidos junto a sistemas de informação nacionais.
Covid: bebês de até 1 ano representam um terço das mortes infantis
Vulnerabilidade é maior em bebês de até 1 ano
A análise dos dois primeiros anos da pandemia e covid-19 no Brasil aponta que crianças de 29 dias a 1 ano de vida são as mais vulneráveis. De acordo com Patrícia, bebês nessa faixa etária respondem por quase metade das mortes registradas entre crianças menores de cinco anos.
Conforme a pesquisadora, é preciso acelerar os processos que levem à vacinação desse público. No entanto, ainda não há agilização nesse sentido.
Covid: Santa Maria confirma 6 mortes, entre elas a de uma criança
Pesquisadora sugere vacinação desse público
“É preciso celeridade para levar a proteção das vacinas a bebês e crianças, especialmente de 6 meses a 3 anos. A cada dia que passamos sem vacina contra covid-19 para menores de 5 anos, o Brasil perde duas crianças”, afirmou.
Segundo Cristiano Boccolini, os dados se referem a óbitos infantis em que a covid-19 foi registrada como causa básica e àqueles em que a doença é uma das causas da morte, ou seja, a infecção agravou alguma condição de risco preexistente ou esteve associada à causa principal de óbito.
“Na análise do Observa Infância, consideramos também as mortes em que a covid-19 agravou um quadro preexistente. Quer dizer que, embora nem todas essas crianças tenham morrido de covid-19, todas morreram com covid-19”, explicou o pesquisador.
Covid: Santa Maria divulga quatro mortes e total vai a 942
Como está a situação no mundo
Os pesquisadores observaram que nem todos os países registram os óbitos por covid-19 com informações por faixa etária. Até junho de 2022, dados coletados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em 91 países revelam que a covid-19 foi a causa básica de óbito de 5.376 crianças menores de 5 anos no mundo.
O Brasil responde por cerca de 1 em cada 5 dessas mortes, segundo o Observa Infância. As evidências científicas trabalhadas são resultado de investigações desenvolvidas pelos pesquisadores no âmbito do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fiocruz e da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), do Centro Arthur de Sá Earp Neto (Unifase).
As pesquisas são efetuadas com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Bill e Melinda Gates.
(Com informações da Agência Brasil)

No Comment! Be the first one.