ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – Escritor
No título, a aliteração pede passagem porque cai a casa do Caio.
Recebemos a notícia de que foi autorizada a demolição da casa em que Caio Fernando Abreu morou. Caio nasceu em Santiago e morou em Porto Alegre. Ganhou o mundo através da literatura.
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Se cai a casa do Caio, cai um pouco o nosso passado literário. É mais um dado a reforçar as estatísticas do descaso com o patrimônio cultural.
São inúmeros os exemplos e em Santa Maria temos vários: o clube Caixeiral está jogado às traças. O antigo fórum, que deveria ser um centro cultural, se arrasta nos meandros da burocracia.
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E os dois mais tradicionais cinemas? Um virou igreja e outro um camelódromo. E assistimos inertes ou jogando milhos aos pombos.
A lista é grande por este Rio Grande de São Pedro. E agora chegou a vez da casa do Caio em Porto Alegre.
Cai a casa do Caio e nasce um empreendimento imobiliário. Provavelmente o empreendedor batizará o edifício de Caio Fernando Abreu. E colocará uma pequena biblioteca no hall com uma foto do escritor.
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Caio não é Borges! Caio não é Lemes! Caio não é Netto! Caio não é Flores!
Caio é Fernando Abreu. Porque se assim fosse não cairia a casa do Caio.
Não sabemos a cor de seu lenço, mas ele peleava com a pena. E era indomável na escrita.
A aliteração é linda e sonora. Mas precisamos contradizê-la.
Na casa do Caio que não cai, há morangos mofados, ovo apunhalado, pequenas epifanias e muito mais. Na casa do Caio que não cai a vida gritando nos cantos.
Não cai a casa do caio!!

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