Cronista/contista/articulista/poeta do Paralelo 29 desde abril do ano passado, a professora Edinara Leão é uma militante cultural desde os anos 1980, quando ainda morava em São Luiz Gonzaga, sua terra natal, nas Missões.
Edinara também pratica dança, declama, escreve….e, por último, virou brechoeira. Sim, ela é dona de um brechó O Barato da Barata (confira o perfil no instagram @obaratodabaratabrecho).
EDINARA LEÃO – Conto: O homem mau
Poesia de um tempo cáustico
Mas o que Edinara mais gosta mesmo é de escrever. Ler e escrever. Independentemente da ordem. E escreve muito bem. Sua poesia vem da alma, vem de uma inspiração incomum, navega um tempo cáustico, como ela mesmo define Sangração. Seus contos e crônicas, idem.
O Paralelo 29 selecionou os quatro primeiros poemas do livro Sangração, de 2018. É um livro, que, segundo Edinara Leão, “sangra”. E como sangra!!!
“É um livro que sangra palavras de um tempo que parte o parto do insubmissos, navega o tempo cáustico, ceva o amargor e a boca seca, é um tempo de vida sentida, verdadeira, a poesia que poderia ter sido e não foi, poderia ter passado em branco, mas houve registro, e aqui está a assinatura da dor contida ou vertida”, escreve Edinara.
EDINARA LEÃO – CONTO: Mala Marron
SÍNTESE
As flores amarelas
à beira da estrada
lembram a síntese
no fim,
(restará)
a fênix
nada mais
EDINARA LEÃO: Tecendo palavras em quatro poemas
SABEDORIA
não me conte como é a vida,
deixe-me
vi ver.
Dois poemas e uma crônica na voz de Edinara Leão
NAUFRÁGIO
os náufragos tecem teias
nas naus
da agonia
ENCANTAMENTO
as nereidas
carregam no corpo
o murmúrio do mar
carregam na alma
a imensidão da água
vestidas de ondas,
as nereidas plantam
um sonho de mar-amor
na boca da mulher
palavreei cantatas
pelo vento
perto
desconfigurou o sonho
do rumo incerto

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