ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – Escritor
Eu não lembro exatamente de quando comecei a usar a expressão “Acho Drury’s” para exprimir dúvida, desconfiança e para afirmar ao amigo que ele não conseguirá o que pretende. Maneira etílica de dizer “Muito difícil!”.
O fato é que se alguém propõe fazer algo de que duvido, eu lasco – ou lascava – um “Acho Drury’s”.
Tem a probabilidade de que esta expressão remonta a adolescência, quando o meu modo de ostentar nas festinhas da gurizada era com um copo de Drury’s na mão.
Alguém perguntou o que estava tomando e respondi que eram três doses de Drury’s e a exclamação veio de imediato.
– Acho Drurys! – falou e começou a corneta. – Um pirralho tomando uísque.
Alcancei o copo para o desconfiado constatar a minha bebida. Sorveu em demasia e tossiu bastante com o teor inesperado de álcool. Era acostumado com Q-Suco de framboesa.
O dia em que a poesia derrotou um ditador
Muito tempo após, as minhas festas de fim de semana, nos tempos de DCE e grupo dos Vicentinos, ainda eram regadas a doses de Drury’s. Algumas vezes colocava um pouco de guaraná para amenizar o efeito. E manter a pose de borracho perante a parceria. Eram as doses de Drury’s nas festas e o “Acho Drury’s!” para desconstruir as empreitadas dos contadores de vantagens e galanteadores de ocasião.
Um dia o Marquito chegou no grupo afirmando que iria fazer teste no Grêmio. Claro, larguei o meu “Acho Drury’s”. Uma semana depois voltou acabrunhado porque não havia sido aprovado no sub qualquer coisa da época.
“Acho Drury’s!” virou uma espécie de mau agouro. Além de colocar em dúvida o feito de alguém ainda ajudava a dificultar ou, simplesmente, avacalhava qualquer logro. Poderia ter virado uma das teses Murphy.
– Vou fazer vestibular para medicina.
– Acho Drury’s! – o cara rodava.
– Vou namorar a Aninha.
– Acho Drury’s! – e a Aninha jamais dava bola.
– Vou tirar 10 em cálculo infinitesimal.
– Acho Drury’s! – e o cara rodava na disciplina.
Cronista da Terra dos Poetas passa a publicar no Paralelo 29
Chegou um tempo que a desgraceira era tanta que parei de tomar Drury’s e a comentar “Acho Drury’s!”
Passei para o gin com tônica, conhaque, campari, mojito, Popokelvis, Kaiser e vinho. Aprendi, num curso de finanças, a diversificar as aplicações e fiz também com as bebidas.
Atualmente, uso o “Acho Drury’s!”, somente em ocasiões especiais. E para assuntos leves e sem relevância histórica. Ocorreu na semana passada, um afoito e alvorotado seguidor do “imbroxável e incomível” falou entusiasmado sobre a reeleição. Não me contive e digitei.
– Acho Drury’s!

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