ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – ESCRITOR
A repercussão do regabofe no Qatar com Ronaldo – o gorducho – e comparsas degustando uma carne folheada a ouro ainda rende e renderá por um bom tempo.
Lembrando que o protagonista deste enredo é o mesmo daquela frase antológica e sem lógica “Não se faz copa do mundo construindo hospitais”, por isso não estamos surpresos. O dinheiro pode tudo e é fundamental estar na mídia e sorrir para a reportagem, porque ricaços riem à toa.
O importante é ter em mente que cada um faz o que bem entende com sua grana. E ninguém tem nada com isso. Eu, particularmente, não vejo problemas de amigos, reunidos num restaurante, postar imagens do encontro. Uma festa para celebrar a vida, as amizades e dar boas risadas.
É para este fim que estamos no Facebook: para compartilhar nossos momentos, sejam eles tristes ou felizes. Mas também temos que ter o senso da empatia. Temos que ter ciência da nossa conjuntura, da nossa realidade. Não vivemos num mundo à parte.
Atletas milionários, alguns bilionários, ostentando um assado folheado a ouro é um escárnio. Um acinte num país de miseráveis. Um deboche para quem não tem certeza do almoço dos filhos.
Um chef marqueteiro que salga as carnes pelos cotovelos, e oferece pedaços na ponta da adaga para abastados e deslumbrados com o Qatar. As cenas são animalescas. “El Gaucho” lá do fundo da grota teria mais respeito com o alimento.
Não sei qual o teor nutritivo deste metal nobre nos corpos dos nobres futebolistas, mas foi uma noitada memorável e histórica. No entanto, me assalta uma dúvida: nesta “casa de câmbio” o preço do ouro que entra é o mesmo que sai? Neste garimpo cloacal o ouro tem o mesmo valor?
Com esta história de assado me bateu a fome, então vou ali preparar uma chuleta na chapa e vou temperar com farelos de cobre – pelos cotovelos – bem entendido? Afinal, cada um ostenta de acordo com suas possibilidades.