Paralelo 29

Caso Isadora: ato vai marcar os cinco anos da morte da modelo e pedir Justiça

Foto: Reprodução, Instagram

Oficial de cartório, acusado de assassinar jovem santa-mariense no litoral de Santa Catarina em maio de 2018, ainda não foi julgado

Familiares e amigos da modelo Isadora Viana Costa estão organizando um ato para a próxima segunda-feira (8), em Santa Maria, para pedir justiça. Isadora, de 22 anos, foi morta com chutes e socos em 8 de maio de 2018 pelo oficial de cartório Paulo Odilon Xisto Filho, segundo o Ministério Público.

A morte de Isadora vai completar cinco anos sem que o acusado tenha ido a júri popular. A Justiça determinou que ele seja julgado por feminicídio, mas até agora a defesa vem conseguindo adiar o julgamento. Atualmente, o caso aguarda recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Desde que a Polícia Civil de Imbituba (SC), onde Isadora morreu, começou a investigar o caso como assassinato, a família da jovem tem se mobilizado para pedir justiça. O ato da próxima segunda-feira será em memória da modelo. Por isso, o local escolhido é um bar da cidade, onde músicos irão tocar.

O bar é o Lux Lounge Bar, que fica na Rua Dr Bozano, 527, esquina com Barão do Triunfo, no Bairro Bonfim, região central de Santa Maria.

O ato está marcado para as 19h. As atrações musicais são Dadá e e Renato Mirailh, músicos conhecidos da noite de Santa Maria. Familiares e amigos da modelo mantêm uma página no Facebook denominada “Justiça para Isadora!”.

Folder de divulgação do ato em memória da jovem/Divulgação

Aguardando júri popular

O crime do qual o oficial de cartório é acusado ocorreu em Imbituba, litoral de Santa Catarina, no apartamento dele, em 8 de maio de 2018.

Já em 8 de novembro do ano passado, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou a absolvição de Xisto Filho, determinando que ele seja julgado em júri popular pelo assassinato de Isadora.

A decisão dos ministros do STF reforça decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Na época, Isadora tinha 22 anos e era namorada de Xisto Filho, que responde ao processo em liberdade depois de ter ficado um período preso preventivamente.

Como Isadora morreu

Isadora e Paulo Odilon Xisto Filho se conheceram em março de 2018, pela internet e começaram a namorar. Em 22 de abril de 2018, a jovem partiu de Santa Maria para Imbituba para visitar o namorado.

Na manhã de 8 de maio daquele ano, a modelo santa-mariense foi encontrada morta, no apartamento dele, no Centro de Imbituda. Socorrida pelo Corpo de Bombeiros, Isadora teria morrido após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

A versão de morte acidental durou até a tarde de 25 de maio de 2018, quando chegou o resultado da perícia no corpo da vítima, apontando que a causa da morte teria sido “trauma abdominal”.

Diante do laudo, o delegado do caso, Raphael Rampinelli, pediu a prisão de Xisto Filho como suspeito das agressões que teriam resultado na morte da modelo santa-mariense.

MP acusa oficial de ter agredido modelo

Com base no laudo pericial assinado por um médico legista, o Ministério Público concluiu que “as lesões traumáticas encontradas no abdômen da vítima, como laceração de vasos abdominais e laceração hepática, foram decorrentes de ação mecânica de alto impacto contra o abdômen e provavelmente repetitiva, compatíveis com múltiplos chutes, joelhadas e socos”.

A defesa de Xisto Filho alega que ele não matou Isadora e que ela teria morrido em decorrência de uma overdose de cocaína. No entanto, o Ministério Público sustenta a tese de que o oficial agrediu a modelo com chutes e socos e ainda alterou a cena do crime.

A promotora Sandra Goulart Giesta da Silva, da 2ª Promotoria de Justiça de Imbituba, acusa Xisto Filho de ter cometido feminicídio contra a namorada por motivo fútil e com uso de recurso que impossibilitou a defesa de Isadora. Afora isso, o oficial de cartório é acusado de fraude processual por modificar a cena do crime “a fim de induzir o perito a erro”.

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