ALESSANDRA CAVALHEIRO – JORNALISTA
Olhe o noticiário: Mais um ciclone extratropical se aproxima e causará transtornos esta semana. Se você não está seriamente preocupado com os perigos do clima, está na hora de buscar instrução. O assunto é vital. O que você faria se sua casa estivesse pegando fogo, invadida pela água, levada por um ciclone ou deslizando pela terra? Sim, os quatro elementos da natureza estão se agitando.
O que se chama de ‘mudanças climáticas’ já é tratado em jornais como o inglês ‘The Guardian’, um dos maiores do mundo, como ‘emergência climática’. Se você acredita ou não, pouco importa: Assim como nasce o sol, o clima está anômalo e perigoso para todos nós.
Mesmo que você more em um lugar seguro e confortável, não se iluda. Uma hora todos nós estaremos vulneráveis aos eventos que se anunciam a cada dia, mais extremos e frequentes.
Palavra de quem estuda
Não, não é a minha opinião. É o que diz o mais recente Relatório de Avaliação (AR6) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o último volume de um trabalho de oito anos do corpo científico mais confiável do mundo sobre mudanças climáticas.
O trabalho do IPCC começou em 1988 e este é o sexto informe, o AR6, constituído de vários volumes com dados sobre o clima. Ali são observadas as descobertas de 234 cientistas sobre a ciência física das mudanças no clima, de 270 cientistas sobre os impactos, adaptação e vulnerabilidade às mudanças climáticas e de outros 278 cientistas sobre mitigação.
O relatório síntese do IPCC fornece a melhor e mais abrangente avaliação das mudanças climáticas existente no mundo hoje. Os cientistas concluem que o mundo precisa parar de usar combustíveis fósseis – a principal causa da crise climática.
É complexo falar em parar com combustíveis fósseis porque isso bate frontalmente com setores fortes da economia e é aí que nossa vulnerabilidade aumenta: A busca pelo lucro de poucos que dizem sustentar muitos. Mas e a vida?
Diz o estudo que para manter o equilíbrio da vida precisamos manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C, o que ainda é considerado possível, mas apenas se agirmos de imediato.
Como o IPCC deixa claro, o mundo precisa atingir o pico das emissões de GEE (Gases de Efeito estufa) no máximo até 2025, reduzi-las pela metade até 2030 e atingir o zero líquido na metade do século.
Em paralelo, também é preciso assegurar uma transição justa e equitativa. Este é o tamanho do desafio. Gigantesco, mas possível.

Vamos precisar de todo mundo
A música ‘O Sal da Terra’ de Beto Guedes nunca foi tão atual: “Terra, és o mais bonito dos planetas, tão te maltratando por dinheiro…”.
Sim, vamos precisar de todo mundo para garantir que as comunidades afetadas pelos impactos cada vez mais severos da crise climática tenham acesso aos recursos de que precisam para se adaptar a essa nova realidade.
“Chega de maltratar a biodiversidade. Chega de nos matarmos com o carbono. Chega de tratar a natureza como lixo. Basta de queimar, perfurar e minar cada vez em maior profundidade. Estamos cavando nossa própria cova”. Quem disse foi António Manuel de Oliveira Guterres (1949), ex-primeiro-ministro de Portugal, e secretário-geral da ONU.
Em seu discurso na ONU em 2018, minha outra professora além de Malala, Greta Thunberg, afirmou: “Por favor, diga-me como reage a esses números sem sentir pelo menos algum nível de pânico? Como reage ao fato de que basicamente nada está sendo feito sem sentir o mínimo de raiva? E como falar sobre isso sem parecer alarmista? Eu realmente gostaria de saber.”
São as palavras de uma jovem que não está conseguindo vislumbrar um futuro para si e para os demais. Simboliza o apelo cheio de agonia da nossa juventude. Um apelo aos que podem resolver o problema se deixarem a ganância e a ignorância de lado.
O chamado inclui governos, indústrias, organizações da sociedade civil e cada pessoa, inclusive eu e você. Segundo os estudiosos, ainda há tempo de mudar o futuro, agindo agora. Uma janela de oportunidade estreita ainda está aberta, mas não temos mais nem um segundo a perder.

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