Paralelo 29

A crise climática e ambiental imporá um limite absoluto ao capitalismo ou seguiremos rumo ao abismo?!

Foto: Fernando Frazão, Agência Brasil

LEONARDO REMATOSO PALMA – Tradutor, pesquisador autônomo, agitador, produtor cultural e ativista social

SILNEI SCHARTEN SOARES – Roteirista e redator, especialista em Cinema e doutor em Comunicação. Assina como revisor deste texto

As tragédias evitáveis, como essas que estamos vivendo agora no Sul, fazem parte da política de “austeridade”.

Investimentos em demandas sociais de segurança e prevenção às catástrofes, e serviços públicos, como saúde, educação, cultura, segurança preventiva, etc, são vistos como “gastos” e tachados de “populismo”. A intenção é clara: reservar esses valores para serem drenados pelo capital especulativo. É uma política de saque dos recursos públicos.

Enquanto prossegue essa marcha suicida e assassina, em todas as esferas da produção, na busca demencial por excedentes e crescimento, num produtivismo irracional e criminoso, promotor de monumentais desperdícios, numa sanha individualista e possessiva de acumulação infinita e egoísta, somos tod@s arrastados para a catástrofe e o tendencial aniquilamento.

Num planeta finito, que já registra excedentes de produção e de tudo, sobram desperdícios e geram-se excedentes – desperdícios, excedentes e desperdícios, fazendo proliferar a fome em escala cada vez mais avassaladora e inaceitável. Desigualdade e pobreza vicejam.

Protesto de movimentos sociais no Grito dos Excluídos/Foto: Tânia Rêgo, Agência Brasil

Quem promove essa necropolítica são os mesmos que criminalizam a luta por igualdade e acham inaceitável o investimento em serviços que ofereçam respostas às demandas sociais: saúde, educação, transporte, moradia, cultura, prevenção de catástrofes climáticas, etc. Gritam por “austeridade”, mas vivem de subsídios do estado. Parasitária e hipócrita, a classe dos “liberais” anarcocapitalistas

Não precisamos mais de excedentes. Precisamos de suficiência. E isso já seria combater a desigualdade, o desperdício e o produtivismo demencial.

A economia do excedente e do crescimento tendencialmente infinito (incompatível com um planeta finito), fez com que as sociedades, que tinham uma dimensão econômica (entre outras), agora estejam totalmente colonizadas pela economia.

Não se trata mais de uma sociedade com dimensão econômica, mas de uma economia que fagocitou toda a sociedade. Nenhuma democracia ou política existe, de fato, em tal situação. Tudo o que existe – e, até mesmo, o que ainda não existe – vira recurso a ser explotado, fator de cálculo econômico, função da acumulação e da posse. É inviável e suicida. É urgente frear esse processo, e resistir.

Precisamos de um imaginário constituinte pós-capitalista e pós-socialista, em ruptura com o realismo capitalista, que não consegue pensar um pós efetivo.

Capitalismo e socialismo são eurocêntricos e modernos (sim, é preciso romper com os automatismos, com palavras que nos impedem de pensar ou pensam por nós).

Anacrônicos e, ambos, prisioneiros do produtivismo e da necessidade de produção de excedentes e de permanente reinvestimento desse excedente, capitalismo e socialismo são igualmente responsáveis pelo colapso e esgotamento do planeta no período rentista hoje vigente.

A igualdade não é promessa, tem de ser premissa! Do mesmo modo, o comum. Mas isso é impossível nos marcos da economia política eurocêntrica/moderna/capitalista ou socialista.

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