Paralelo 29

MARIONALDO: Por que falar no direito à cidade?

Foto: José Mauro Batista, Paralelo 29

    MARIONALDO DA COSTA FERREIRA – CONSULTOR PARA CIDADES INTELIGENTES 

Quando iniciei a falar sobre esse tema, cidades e a cidadania, alguns conhecidos me falaram que esse era um tema vazio, que não tinha ressonância, que não daria ibope, conforme eles.

Preciso afirmar que o processo histórico desse tema forjou-se e ficou marcado pelo potente movimento iniciado pelas juventudes engajadas na luta por direitos civis, liberação sexual, oposição ao conservadorismo, crítica à guerra no Vietnã, entre outras. A expressão “direito à cidade” foi originalmente cunhado pelo filósofo e sociólogo francês Henri Lefebvre em 1968.

Não seria arriscado dizer que só chegamos até aqui devido a transmissão cultural. Somos o resultado de todos aqueles que vieram antes de nós. As realizações de nossa espécie como um todo agora superam as de um indivíduo.

A humanidade transcendeu e tudo isso foi possível através da organização em grupos e da transmissão cultural entre eles.

Podemos ter smartphones, perfis nas redes sociais com milhares de seguidores, aviões e foguetes espaciais, mas o modo como pensamos e agimos não mudou muito.

Isso tudo, essa tecnologia nas mãos de humanos, em espaços de um sistema complexo, gera conflitos. Sim, as cidades são sistema complexos, duvidosos, complicados.

As cidades, nesse sistema dinâmico, mudam a todo momento, seja na infraestrutura, na paisagem, na dinâmica de ocupação territorial ou nos manifestos sociais.

Além disso, mudam seus gestores e com isso, mudam as prioridades de investimentos. A cidades são um sistema aberto sofrendo influência em sua economia, meio ambiente e políticas públicas.

Um exemplo de influência externa é que muitas cidades importam modelos de gestão de outras cidades. Talvez aí resida um dos maiores complicadores de uma cidade afirmar sua individualidade como unidade.

A cidade deve buscar sua individualidade a fim de manter a ordem estratificada do sistema, mas, ao mesmo tempo, que tem que submeter-se às exigências do todo a fim de tornar o sistema viável. Essas duas tendências opostas se complementam.

Portanto, em todos os sentidos, falar, debater as cidade que temos e a cidade que queremos é importantíssimo e urgente.

Não basta fazer um plano diretor e dizer que planejada a cidade está, sem proporcionar a participação das comunidades, dos mais variados grupos existentes nas cidades.

E é esse direito a cidade que falamos e estamos querendo debater. O direito à cidade de cada cidadão para ser de toda coletividade.

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