ALESSANDRA CAVALHEIRO – JORNALISTA
Enquanto hoje o Hemisfério Norte vai se destruindo ainda mais por conta da insanidade das sombras, como foco específico no Oriente Médio, nós vemos o ódio se espargindo pelo mundo.
E olhando tantas manifestações de ódio em tantas ditaduras sanguinárias como as que vemos na TV, grupos terroristas, radicais, extremistas, me pergunto: onde estão os pacificadores? Onde estão aqueles que vão levantar a voz em nome da paz?
Em Florianópolis, a diretora do Instituto Paz e Mente, Cerys Tramontini, mantém uma conexão com pesquisadores internacionais e nacionais devido aos seus estudos de paz.
Ela é idealizadora e co-fundadora da Pós-Graduação EaD em Transformação de Conflitos e Estudos de Paz com ênfase no equilíbrio emocional em parceria com a cátedra de Paz da Unesco – Áustria.
“Estamos vivendo momentos desafiadores como humanidade. Todos os mundos que aparentemente eram fixos e estruturados desmoronaram diante de nossos próprios olhos do dia para a noite. O desconhecido se apresenta e, com isso, somos convidados a ressignificar toda nossa vida, e os processos, métodos e práticas de como podemos nos relacionar no momento presente, pois impacta a nossa existência no agora e no futuro”, observa Cerys.
Professora certificada no curso Cultivando o Equilíbrio Emocional pelo Instituto Santa Bárbara de Estudos da Consciência (Califórnia), Cerys é doutora em Estudos de Paz e Conflitos, pelo Centro Nacional de Estudos de Paz na Nova Zelândia, pela Otago University e bacharel em Direito. A pesquisadora lembra que a vida se mostra em sua totalidade com sua natureza não estática.
“Nesse movimento constante e incessante, como pesquisadora na área de estudos de paz e conflitos, presenciamos muitas guerras, conflitos se escalonando e muitas decisões políticas e sócio-ambientais sendo tomadas hoje e o impacto dessas decisões serão sentidos os reflexos nas gerações futuras. Muitas incertezas estão presentes e isso gera ansiedade, depressão e questões de desequilíbrios emocionais”, observa.
Qual o impacto de nossas escolhas?
Mente clara e bem-estar emocional são essenciais para a condução de nossa sociedade e continuidade das futuras gerações.
Importante nos questionarmos e refletirmos: Qual o impacto de nossas escolhas/ações/atitudes no agora e qual o impacto para o futuro? Qual o papel do treinamento sobre consciência emocional nisso tudo?
Cerys considera que muito se fala em consciência, porém esse é um tema muito amplo que tem diversas perspectivas de acordo com cada contexto.
“A consciência nesse sentido tem relação com as escolhas de repertório, nosso poder de agência/escolhas conscientes e saudáveis a cada passo que damos. Podemos treinar a consciência emocional para que nossas escolhas possam nos levar em direção ao bem-estar genuíno seja ele físico e/ou emocional no momento presente e no futuro”, aconselha a estudiosa.

Chamamento à juventude
Aparentemente as vozes pacificadoras estão cada vez mais escassas, raras. Mas eu acredito piamente que elas existem, a exemplo do Instituto Paz e Mente e precisam ter apoio de outras vozes que pacificam.
E diante de mais um conflito que segue o fio da história de décadas no Oriente Médio, e das perigosas reações da comunidade internacional, é hora de convocar a juventude, com a sua energia, como donos do futuro, a ter uma voz forte, resistente, pacífica, criativa e tecnológica.
Precisamos deixar sementes de paz nessas mentes que carregam a inteligência do coração. Somente o amor é antídoto do ódio, este que tem deixado o nosso planeta em ebulição. Ninguém que tenha amor vai colocar fogo nas vidas preciosas da natureza.
Precisamos chamar as novas mentes construtivas, saudáveis para dizer não ao ódio de forma consistente, para buscar e multiplicar as soluções. Nosso caminho, nossa jornada, nossos desafio é trabalhar transformações de conflitos e distribuí-las pelo mundo.
As asas velozes da paz
Nós podemos faz isso, é fácil de fazer, basta termos a intenção, simples assim. Então, fica aqui um chamamento para que os pacifistas tenham coragem de levantar a voz e dizer essa pequena palavra que tantos negam, que outros tantos abominam: a paz. Ela sobrevoa entre nós e devemos alcançar as mãos para as asas da paz e voarmos nesse pensamento.
Então, quem sabe um dia, as árvores que plantamos – e que não veremos – possam fazer a sombra da cura e as luzes possam iluminar a vida de quem hoje é a nossa juventude e que está construindo esse mundo, para que seja melhor: um caminho de civilização, regeneração, crescimento, de vida para todos. Aos produtores do ódio, seu lugar de sombra é garantido, até que avancem às asas velozes da paz.