Paralelo 29

TRAGÉDIA DA KISS: “Os caras mataram 242 filhos nossos e têm as penas reduzidas”, desabafa Flávio Silva, presidente da AVTSM

Foto: AVTSM, Divulgação

TJRS diminiu as condenações dos quatro réus acusados pelo incêndio na boate de Santa Maria

PARALELO 29

O presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Flávio Silva, lamentou, em entrevista coletiva, a decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), de reduzir as penas dos quatro condenados pelo incêndio na boate, que matou 242 pessoas e feriu outras 636, em 27 de janeiro de 2013.

Na manhã desta terça-feira (26), o TJRS reduziu as penas dos empresários e sócios da Kiss Elissandro Spohr (Kiko) e Mauro Hoffman e dos integrantes da Banda Gurizada Fandangueira Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão.

AO VIVO: Acompanhe o julgamento dos recursos dos réus da tragédia da Kiss e veja o que pode ser decidido

Como ficaram as penas

Com a decisão, as condenações de Kiko e Mauro foram reduzidas para 12 anos de prisão. Já as penas do vocalista Marcelo de Jesus e do produtor musical Bonilha foram reduzidas para 11 anos. Uma redução significativa.

Em 2021, quando o caso foi julgado, Kiko foi condenado a 22 anos e seis meses de prisão, e Mauro foi apenado a 19 anos e seis meses. Marcelo e Luciano foram condenados a 18 anos cada um. Os réus estão presos, mas as defesas estudam pedir progressão de regime.

Confira aqui como foi o julgamento.

“Papel de palhaço”, diz pai

Pai de Andrielle Righi da Silva, uma das 242 vítimas fatais do incêndio, e presidente da AVTSM, Flávio deu uma entrevista coletiva assim que o resultado foi anunciado. Com um nariz de palho, Flávio desabafou,

“Nossa avaliação é de um grande papel de palhaço que nos estamos fazendo aqui. Os caras mataram 242 filhos nossos e têm as penas reduzidas”, disse.

Ainda em sua fala, Flávio citou uma frase clássica em que “a polícia prende e a Justiça solta”. O presidente da AVTSM disse que a luta por justiça vai continuar e que o Ministério Público deverá recorrer da decisão do TJRS ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Tragédia deixou 242 mortos e 636 feridos

O incêndio na boate Kiss, na madrugada de 27 de janeiro de 2013, no Centro de Santa Maria, é considerado a maior tragédia do Rio Grande do Sul e uma das maiores do Brasil.

Durante uma festa universitária, jovens lotavam a casa noturna, na época uma das mais badaladas do interior do Rio Grande do Sul.

A banda Gurizada Fandangueira, que começava a alçar voo, se apresentava no local, quando um de seus membros acionou um artefato pirotécnico que acabou soltando uma faísca que incendiou a proteção de espuma colocada no teto para abafar o som.

Rapidamente, o fogo se espalhou. A fuma tóxica tomou conta do ambiente, causando mortes por intoxicação e pisoteamentos. A tragédia resultou em 242 mortos, sendo que a maioria morreu no dia do incêndio e outros nos meses seguintes, em hospitais.

Outros 636 sobreviventes, a maioria jovens, escaparam com ferimentos, muitos deles com lesões graves, como amputações e queimaduras sérias.

Atualmente, em Santa Maria, no terreno onde ficava o prédio da boate, está em construção um memorial às vítimas da Kiss. A obra está paralisada, momentaneamente, por conta de um problema verificado no terreno durante a construção das fundações do memorial.

NOTÍCIAS RELACIONADAS À TRAGÉDIA DA KISS

Ministro do STF suspende júri da Kiss

Justiça mantém novo júri da Kiss para fevereiro

STJ mantém anulação do júri da Kiss e réus irão a novo julgamento

STJ retoma julgamento sobre o júri da Kiss

O que levou à anulação do júri da Kiss

Júri da Kiss é anulado e réus serão soltos até novo julgamento

Toffoli manda prender condenados pelo incêndio na Boate Kiss

Compartilhe esta postagem

Facebook
WhatsApp
Telegram
Twitter
LinkedIn