Proposta apresentada pelo PSOL teve apenas quatro votos contrários
JOSÉ MAURO BATISTA – PARALELO 29
A aprovação de uma moção de apelo na sessão desta terça-feira (18), na Câmara de Vereadores de Santa Maria pegou de surpresa o governo municipal. Com votos de vereadores da base governista, a Casa aprovou uma moção de apelo do PSOL para que o prefeito Rodrigo Decimo (PSD) retire os projetos de lei da reforma da Previdência.
A proposta foi apresentada pela vereadora Alice Carvalho (PSOL), o que surpreendeu ainda mais. Vereadores governistas como Alexandre Vargas (Republicanos), Sérgio Cechin (PP) e Luiz Carlos Fort (PP) votaram a favor. Cechin e Fort são do partido da vice-prefeita Lúcia Madruga.
Sindicatos convocam os servidores municipais à mobilização contra a reforma da Previdência
O QUE DIZ A MOÇÃO
“Requer o envio de Moção de Apelo à Prefeitura Municipal de Santa Maria, pela
retirada dos projetos de reforma da Previdência dos servidores públicos municipais”.
JUSTIFICATIVA
“Propomos esta Moção, no intuito de que a retirada dos projetos de Reforma da Previdência pela Prefeitura, possibilite realizar um debate democrático com os diversos setores envolvidos, e assim discutir as questões relativas à Previdência e demais direitos dos servidores, com tempo hábil e a necessária participação de todos os vereadores e vereadoras desta Casa.
VOTARAM A FAVOR
- Alexandre Vargas (Republicanos)
- Alice Carvalho (PSOL)
- Helen Cabral (PT)
- Coronel Vargas (PL)
- Lorenzo Pichinin (PSDB)
- Luiz Carlos Fort (PP)
- Luiz Fernando (PDT)
- Marina Callegaro (PT)
- Rudys Rodrigues (MDB)
- Sérgio Cechin (PP)
- Sidi Cardoso (PT)
- Tony Oliveira (Podemos)
- Tubias Calil (PL)
- Valdir Werner (PC do B)
VOTARAM CONTRA
- Adelar Vargas Bolinha (MDB)
- Admar Pozzobom (PSDB)
- Givago Ribeiro (PSDB)
- Luiz Roberto Meneghetti (Novo)
AUSENTES
- Manequinho Badke (Republicanos)
- Marcelo Bisogno (União Brasil)
Pressão pela retirada
Nas últimas sessões, vereadores têm discursado para que a Prefeitura retire os projetos da reforma previdenciária. A retirada é defendida pelo Sindicato dos Professores Municipais de Santa Maria (Sinprosm) e pelo Sindicato dos Municipários de Santa Maria (SMSM).
Greve
Os professores municipais estão em greve por tempo indeterminado desde o dia 5 de novembro. Já os municipários decidiram, na noite de segunda-feira (17), por uma greve de 10 dias. Os municipários poderão estender a greve se entenderem necessário.
Reunião com a Prefeitura
Na tarde desta terça-feira, Decimo e Madruga receberam representantes do Sinprosm a pedido da categoria. Dirigentes do sindicato pediram que o Executivo abra uma mesa de negociação para o encerramento da greve, o que foi atendido pelo prefeito.
O prefeito Rodrigo Decimo e a vice-prefeita Lúcia Madruga receberam, na tarde desta terça-feira (18), o Sindicato dos Professores de Santa Maria (Sinprosm). A reunião foi solicitada pela categoria na última sexta-feira (14), sendo tratada pelo Executivo Municipal com prioridade.
Prefeito não pretende retirar projetos
Em relação ao pedido para a retirada dos projetos, Decimo reafirmou que a Câmara é o espaço para discussão da reforma. Portanto, ele não pretende retirar os projetos.
“Nós acolhemos de imediato essa mesa de negociação, pois sempre estivemos abertos ao diálogo. Acredito que, conversando, conseguiremos avançar e chegar a um entendimento, já que a reforma é uma necessidade. Dessa forma, neste momento, seguiremos discutindo na Câmara de Vereadores sobre a reforma e estaremos sempre à disposição para construir algo de forma conjunta”, destacou Decimo.
Professores reafirmam contrariedade
Em nota oficial divulgada após o encontro, o Sinprosm destacou que Decimo sinalizou com a realização de novas reuniões e informou que o governo está buscando alternativas para garantir o pagamento dos salários e do 13º do funcionalismo.
“O Sinprosm reforça que, conforme deliberado em assembleia, a categoria segue firmemente contrária à reforma da previdência e mobilizada em defesa de seus direitos. A coordenação, em conjunto com o Comando de Greve, deverá convocar uma nova assembleia nos próximos dias para definir os próximos passos da luta”, diz a nota da entidade.
Outras demandas
O Sinprosm também apresentou outras demandas, como reajuste salarial e chamamento de professores concursados, entre outros assuntos, e informou que levará as pautas para discussão na assembleia da categoria.
O sindicato também pediu a elaboração de uma nova lei de cargos, garantia de não haverá cortes pelos dias parados, reajuste salarial conforme a Lei do Piso e pagamento em dia e sem parcelamento dos salários e do 13º.

