Marcelo Ustra Soares quer homenagear coronel apontado como um dos principais torturadores durante a ditadura militar no Brasil

PARALELO 29
Em uma entrevista ao portal Porto Alegre 24 Horas, o vereador Marcelo Ustra Soares (PL) defendeu a instalação de uma estátua em Santa Maria para homenagear seu primo, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, primeiro militar condenado por tortura pela Justiça brasileira.
“Se eu chegar (a um cargo) mais alto no Brasil vou colocar uma estátua do coronel Brilhante Ustra lá em Santa Maria, na cidade que ele nasceu. Esse é um verdadeiro herói nacional que lutou contra organizações terroristas que queriam implementar no Brasil a ditadura do proletariado”, a implantação do comunismo no nosso Brasil”, disse o vereador.
Quem foi Brilhante Ustra
Carlos Alberto Brilhante Ustra nasceu em Santa Maria em 28 de julho de 1932, mas entrou no cenário nacional de forma obscura a partir dos anos 70, na ditadura militar. Nas sessões de tortura ele passou a usar o nome de Dr. Tibiriçá.
Entre 1970 e 1974, no governo Médici, ele foi comandante, em São Paulo (SP), do Departamento do Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do II Exército, principal órgão de repressão do regime.
A ele são atribuídos pelo menos 500 casos de tortura no período, que foi marcado pela vigência do AI 5 (Ato Institucional nº 5) nos “anos de chumbo”. Conforme a Comissão Nacional da Verdade, 50 pessoas foram assassinadas nos porões do regime e outras desapareceram.
Em 2008, a Justiça paulista reconheceu Ustra como torturador, decisão que foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em 2012 e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2014.
No entanto, Ustra nunca foi punido. O militar morreu aos 83 anos, de câncer, em 15 de outubro 2015, no Hospital Santa Helena, em Brasília, cidade onde morava com a família.
Em 1985, a atriz Bete Mendes, então deputada federal constituinte encontrou Ustra no Uruguai, onde ele era adido militar na Embaixada Brasileira. Ela reconheceu o homem que a torturou e fez uma denúncia pública. A partir daí outras denúncias começaram a aparecer.
Coronel nunca assumiu seus atos
Ao depor à Comissão Nacional da Verdade, em 2013, Brilhante Ustra negou que tivesse cometido crimes durante o período e acusou a então presidente Dilma Rousseff (PT) de ter integrado quatro organizações terroristas.
Na mesma comissão, o ex-sargento do Exército Marival Chaves afirmou que Brilhante Ustra era “o “senhor da vida e da morte” no DOI-CODI.
Ustra escreveu dois livros com sua versão sobre o regime militar: “Rompendo o silêncio: OBAN DOI/CODI 29 set 70 a 23 jan 74” e “Verdade Sufocada”.
Homenagem de Bolsonaro
Ídolo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Carlos Alberto Brilhante Ustra foi homenageado em 2016 na sessão que aprovou o impeachment da presidente Dilma Roussef, em 17 de abril de 2016.
Na época filiado ao PP, Bolsonaro, ao dar seu voto disse que o fazia pela “memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”, uma referência à tortura sofrida pela presidente na juventude.
Cinzas em Santa Maria
Há informações de que logo depois de sua morte, Ustra teria sido homenageado em um ato reservado a familiares e amigos, em Santa Maria. Na época, o Comando Militar do Sul negou que a 3ª Divisão de Exército (3ª DE) tenha homenageado o coronel.
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