Ela era irmã gêmea da também professora e suplente de vereadora Maria Rita Py Dutra
JOSÉ MAURO BATISTA – PARALELO 29
Santa Maria perdeu na noite dessa terça-feira (9/12) a professora Maria das Graças Py, aos 77 anos. Poeta e escritora, Maria das Graças era irmã gêmea da também professora Maria Rita Py Dutra, vereadora do PC do B na legislatura passada e atualmente na suplência.
Nascida em Santa Maria em 20 de abril de 1948, a professora Maria das Graças morou sua vida inteira na cidade natal, dedicando-se à educação e à luta por um mundo melhor, seja na poesia, na luta política ou na aplicação da doutrina espírita.
A despedida de Maria das Graças ocorre nesta quarta-feira (10/12), com o velório que se iniciou às 8h, na Capela E do Cemitério Santa Rita. A cerimônia de encerramento ocorrerá às 16h no Crematório Santa Rita.
Viagem de trem para lecionar

Formada em Letras em 1976 pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a professora lecionou Língua Portuguesa durante 25 anos.
Durante o exercício da docência, chegou a viajar de trem com colegas para lecionar em Cachoeira do Sul e em Restinga Seca. Depois, por 17 anos, foi professora no Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac (IEOB).
Presença de luz, sabedoria e generosidade

Por onde passou, Maria das Graças espalhou luz, sabedoria e solidariedade. Espírita kardecista desde a infância por influência da mãe, Maria das Graças era considerada uma pessoa iluminada e bastante espiritualizada.
A doutrina espírita entrou na vida dela e da irmã por influência da mãe, Lucília, que havia perdido oito filhos antes das gêmeas chegarem ao mundo. O pai, Albertino, era ferroviário.
Com sua solidariedade, Maria das Graças e Maria Rita abraçaram a causa das mães e pais que perderam seus filhos no incêndio da boate Kiss em 27 de janeiro de 2013.
Maria das Graças foi voluntária – até quando sua saúde permitiu – da causa da Kiss, participando ativamente das vigílias. Era ela quem conduzia os momentos de oração, levando sua palavra de consolo e de luta em momentos de dor em vigílias e passeatas.
Homenagens e gratidão nas redes sociais
A passagem de Maria das Graças rendeu muitas menções e homenagens a ela nas redes sociais. Colegas, gente do mundo da cultura, políticos, coletivos e familiares de vítimas do incêndio da Kiss manifestaram sua gratidão à professora.
Em nota, a AVTSM destaca que, “mais do que uma apoiadora, ela acolheu os pais das vítimas da boate Kiss como se fossem seus filhos, oferecendo presença, escuta e conforto nos momentos de maior dor”.
“Seu cuidado amoroso deu força a muitas famílias quando quase nada mais parecia possível. Durante anos, Maria das Graças esteve presente em todas as quartas-feiras de vigília e nos dias 27 de cada mês, conduzindo reflexões e orações que uniam fé, respeito e humanidade”, diz nota divulgada pela AVTSM em suas redes sociais.
O Coletivo Kiss: Que Não Se Repita também lembrou de Maria das Graças como uma pessoa que abraçou a causa dos familiares e sobreviventes da Kiss.
“Maria das Graças esteve presente em dezenas de atos, homenagens e vigílias (semanais e mensais) sempre levando palavras de carinho, espiritualidade, acolhimento e força aos familiares, amigos e sobreviventes. Sua presença constante, seu afeto e sua dedicação sincera à causa deixam marcas eternas em todos nós. Obrigado, Maria das Graças. O caminho teria sido mais difícil se não tivéssemos tido você junto conosco”,diz um trecho do texto publicado pelo Coletivo KIss.
A vovó do balaio de poesias

A presença de Maria das Graças também chamava a atenção nas edições da Feira do Livro de Santa Maria, na Praça Saldanha Marinho.
Integrante da Casa do Poeta de Santa Maria (Caposm), Maria das Graças era vista com um cesto de poemas dela e de colegas, poetas alternativos da cidade, com o famoso Balaio da Poesia que o grupo distribui no evento.
Maria das Graças teve participação ativa na cultura da cidade e também foi uma das vozes da negritude e em defesa da justiça social. Apaixonada por leitura, ela costumava dizer: “O livro é um amigo silencioso e tá sempre te observando”.
Entre suas obras, em 2015, na Feira do Livro de Santa Maria, lançou juntamente com a irmã Maria e Rita e com Amélia Morcelli o livro “Poemas para Brincar”. A poeta-poetisa parte deixando um rastro de luminosidade que continuará iluminando caminhos.

