Paralelo 29

CASO LUANNE: Morte de jovem há 4 anos em Santa Maria não foi a julgamento

Foto: José Mauro Batista, Paralelo 29

Com base em um laudo de esquizofrenia, Justiça considerou autor inimputável e ele não foi submetido a júri popular

PARALELO 29

Um feminicídio ocorrido há 4 anos vitimou a jovem Luanne Garcez da Silva, uma estudante de Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Luanne foi morta asfixiada pelo noivo, Anderson da Costa Ritzel, que acabou não indo a julgamento por ser considerado inimputável devido a um diagnóstico de esquizofrenia. Até hoje, a família da jovem reclama da impunidade.

Na manhã de 13 de dezembro do ano passado, em um ato público na Praça Saldanha Marinho contra os feminicídios, familiares de Luanne levaram uma faixa em protesto. Na época do assassinato, familiares e amigos realizaram manifestações pedindo justiça.

No entanto, a Justiça entendeu que Ritzel estava em surto psicótico quando matou Luanne. Um laudo psiquiátrico apotou que o jovem, então com 26 anos, sofre de “transtorno esquizofrênico do tipo paranoide” e, na época, tinha problemas com drogas, sendo, portanto, inimputável.

Ou seja, não responde pelos seus atos. Ritzel foi defendido pela Defensoria Pública do Estado (DPE). A procuradora Valéria Brondani atuou na defesa do estudante.

Assim, o autor confesso da morte de Luanne não foi sequer a julgamento. Caso fosse pronunciado no processo criminal, Ritzel enfrentaria o júri popular.

Com base na decisão da Justiça, sequer houve o crime de feminicídio porque o autor não estava em condições de decidir entre o certo e o errado, o que é questionado por familiares da vítima.

Ato realizado em 16 de abril de 2022 pediu justiça por Luanne Garcez/Foto: José Mauro Batista, Arquivo Paralelo 29

RELEMBRE O CASO

Estudante de Pedagogia da UFSM, Luanne, de 27 anos, saiu com o noivo, o também estudante Anderson Ritzel, na noite de 9 de abril de 2022.

Já na madrugada de 10 de abril, na Rua Luiz Mallo, no Bairro Itararé, na região Nordeste de Santa Maria, Ritzel asfixiou Luanne em via pública depois de uma suposta crise de ciúmes. Ele admitiu que desconfiava que estaria sendo traído pela noiva.

Testemunhas contaram terem ouvido os gritos de Luanne pedindo socorro. Também relataram ter visto Ritzel saindo com uma bolsa de Luanne detrás do carro dela para simular que a jovem teria sido vítima de um latrocínio (roubo com morte).

Ritzel chegou a dizer que Luanne teria sido assaltada por uma dupla de criminosos. No entato, câmeras de videomonitoramento registraram imagens que desmentiram essa versão e ajudaram na elucidação do caso. Depois, Ritzel acabou confessando o estrangulamento.

Família mantém perfil no Instagram

Luanne Garcez era estudante de Pedagogia da UFSM/Foto: Arquivo de Família

A morte de Luanne teve grande repercussão na época e manifestações pedindo justiça foram realizadas por familiares, colegas e amigos. Uma delas ocorreu na Praça Saturnino de Brito (Brahma) e teve a cobertura do Paralelo 29.

Familiares de Luanne pretende participar do ato marcado para este domingo, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, a partir das 17h, na Praça Saldanha Marinho. Irmães de Luanne confecionaram novas camisetas e faixas. A família mantém um perfil no Instagram (@porluannegarcez), em memória da jovem e por justiça.

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