Feira consolida Santa Maria como polo de economia solidária
CAROLINA CARVALHO – DA ASSESSORIA DA 32ª FEICOOP
Após três dias de intensa programação, a 32ª Feira Internacional do Cooperativismo e da Economia Solidária (FEICOOP) encerrou neste domingo (12) mais uma edição histórica em Santa Maria.
Com uma circulação estimada em cerca de 100 mil pessoas ao longo do evento, a feira, que teve como lema “Construindo a Ecologia Integral frente às Emergências Climáticas”, reafirmou seu papel como um dos mais importantes espaços de articulação da economia solidária na América Latina, reunindo empreendimentos, movimentos sociais, instituições, universidades, gestores públicos, agricultoras e agricultores familiares, artistas e consumidores em torno da construção de uma sociedade mais justa, sustentável e cooperativa.
Realizada no Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, a FEICOOP recebeu participantes de 16 estados brasileiros e de países como Argentina, Equador e Uruguai. Ao todo, mais de 550 empreendimentos solidários e 17 caravanas integraram a programação, que contou ainda com mais de 50 atividades formativas e dezenas de apresentações culturais.
Ao longo dos três dias, os corredores da feira foram tomados por uma diversidade de sotaques, culturas, saberes e experiências. Vindos de diferentes territórios urbanos e rurais, os participantes compartilharam produtos, conhecimentos e trajetórias que demonstram a capacidade da economia solidária de gerar trabalho, renda, inclusão social e desenvolvimento sustentável.
Um dos aspectos mais marcantes desta edição foi, mais uma vez, o protagonismo das mulheres. Presentes em empreendimentos, agroindústrias familiares, cooperativas, movimentos sociais, espaços de formação e atividades culturais, elas estiveram à frente de grande parte das iniciativas apresentadas na feira, reafirmando o papel fundamental das mulheres na construção e no fortalecimento da economia popular solidária.
Espaço para debates
A programação do eixo Formação e Articulação promoveu debates sobre educação, agroecologia, democracia, sustentabilidade, economia popular, participação cidadã e políticas públicas. Entre os destaques esteve a participação da educadora e socióloga Helena Singer, referência nacional em educação democrática e transformação social, que contribuiu para reflexões sobre os desafios contemporâneos e os caminhos para uma sociedade mais colaborativa e inclusiva.
A memória e a história também tiveram espaço especial nesta edição. A exposição “Memórias da Esperança”, organizada pela pesquisadora Caroline Moraes, apresentou parte do acervo histórico do Projeto Esperança/Cooesperança, permitindo que visitantes conhecessem a trajetória de mais de três décadas da FEICOOP e das iniciativas que ajudaram a consolidar a economia solidária como referência nacional e internacional.
Outro momento de grande impacto foi a exibição do documentário “Marcas da Chuva: Memórias da Quarta Colônia”, que abordou os efeitos da tragédia climática enfrentada pelo Rio Grande do Sul, ampliando as reflexões sobre sustentabilidade, resiliência e solidariedade diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
No eixo Arte, Cultura e Diversidade, dezenas de apresentações transformaram a FEICOOP em um espaço de celebração da pluralidade cultural brasileira e latino-americana. Música, dança, teatro, manifestações populares e expressões tradicionais reforçaram a cultura como instrumento de pertencimento, resistência e transformação social.
Feira segue crescendo
Para o coordenador geral da FEICOOP e presidente do Projeto Esperança/Cooesperança, José Carlos Peranconi, o Zeca, a edição de 2026 demonstrou a vitalidade de um movimento que segue crescendo e fortalecendo laços entre diferentes povos e territórios.
“A FEICOOP é a prova de que a solidariedade continua sendo uma força capaz de unir pessoas, culturas e comunidades em torno de um projeto comum de sociedade. Durante esses três dias vimos a alegria dos reencontros, a construção de novas parcerias, a valorização do trabalho coletivo e a certeza de que a economia solidária segue viva, organizada e cada vez mais necessária. Encerramos esta edição com o coração cheio de gratidão e com a esperança renovada para continuarmos construindo juntos um mundo mais justo e humano “,destacou.
Criada há 32 anos a partir do sonho coletivo liderado por Dom Ivo Lorscheiter e com o empenho incansável da Irmã Lourdes Dill, a FEICOOP consolidou-se como uma das principais referências internacionais em economia solidária. Mais do que uma feira, tornou-se um espaço permanente de articulação, formação, comercialização e construção de alternativas econômicas baseadas na cooperação, na justiça social e no cuidado com a vida.
Com os corredores cheios, os estandes movimentados e a esperança circulando entre milhares de pessoas, a 32ª FEICOOP encerrou suas atividades reafirmando uma convicção que atravessa sua história: outro mundo não apenas é possível, ele já está sendo construído todos os dias por quem escolhe cooperar. E a próxima edição já tem data marcada: será nos dias 9, 10 e 11 de julho de 2027.