Comerciante durante anos, ele foi sepultado nessa quarta-feira, na cidade que adotou ainda na infância
Sinuca, cerveja gelada, TV ligada no futebol, pastel caseiro e mocotó, além de muito bate-papo entre amigos. Assim, durante anos, foi o Bar do Orlando, tradicional estabelecimento comercial localizado na região central de Santa Maria. Seu antigo proprietário e fundador, Orlando Benitz Silveira, de 81 anos, morreu na quarta-feira (9/9). Orlando foi sepultado no Cemitério São José, no Bairro Chácara das Flores, zona Norte de Santa Maria.
Nascido em Santiago, no Vale do Jaguari, Orlando veio para o Coração do Rio Grande ainda na infância. Na década de 80 do século passado abriu o Bar do Orlando, na esquina da Rua Dr Bozano com a Rua Conde de Porte Alegre, no Bairro Centro, hoje Bairro Bomfim. Tempos depois, o bar mudou para um imóvel na Conde de Porto Alegre, na mesma quadra do endereço anterior.
Durante anos, o Bar do Orlando foi abrigo da boemia e de apreciadores da sinuca. Em dias de jogo, a televisão estava sempre ligada, principalmente quando tinha clássico Gre-Nal. Gremista apaixonado, Orlando sabia conviver com os colorados que frequentavam seu estabelecimento.
“A lancheria do Orlando foi, durante muitos anos, um verdadeiro ponto de encontro. No local se reuniam, principalmente no final da tarde e início da noite, estudantes, operários, médicos, políticos, advogados, desportistas, jovens e veteranos. Era um espaço de convivência, de conversa e de amizade”, diz o jornalista Renato Oliveira, das rádios Imembuí FM e Nativa FM em reportagem compartilhada com o Paralelo 29.
Renato Oliveira frequentou o local e era amigo do antigo dono. Ele relata em sua reportagem que, ao vender o bar, Orlando enfrentou um momento muito díficil, marcado pela depressão.
“Ao negociar o estabelecimento, Orlando enfrentou um momento muito difícil. Acostumado durante tantos anos à rotina da lancheria e ao contato diário com as pessoas, acabou sendo atingido pela depressão. Perdemos um grande amigo. Orlando era também um homem que sabia ouvir e aconselhar. Muitas pessoas chegavam à sua lancheria tristes, preocupadas ou precisando de uma palavra amiga, e encontravam nele atenção, carinho e apoio. Orlando deixa uma história de amizade e muitos encontros que jamais serão esquecidos. Está com Deus, meu querido Orlando”, escreveu o jornalista.
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Pastel da dona Mari, sinuca e desenhos na parede
Mari Silveira, esposa de Orlando, dividia com o marido a administração e o atendimento do bar. Ela fritava os famosos pasteis da “Dona Mari”, bastante apreciados pelos fregueses. No inverno, o bar também oferecia mocotó, que era preparado pela comerciante.
Além dos habituais frequentadores, o bar também recebia “sinuqueiros”. Vários campeonatos de sinuca foram sediados no local. Outra particularidade do Bar do Orlando era a ornamentação de suas paredes com retratos, fotografias, desenhos e caricaturas de frequentadores.
Lugar aconhegante, o Bar do Orlando era conhecido por ser um espaço democrático, recebendo gente de todas as convicções políticas e ideológicas. Era frequentado tanto por estudantes universitários, intelectuais, profissionais liberais, empresários, pedreiros, serviços gerais e aposentados.
Há alguns anos, Orlando perdeu um filho, Daniel Silveira, ainda jovem. Ele era voluntário do movimento Vida Urgente, que foi bastante atuante na prevenção e conscientização sobre acidentes de trânsito, principalmente no início dos anos 2000.
Atualmente, o estabelecimento tem nova direção (desde que foi vendido). Os atuais proprietários optaram por manter o nome e a sinuca. Seu público, atualmente, é formado basicamente por jovens universitários que lotam a calçada em dias de jogos de futebol.