Quantitativo representa alta de 15% no ritmo de formalização feminina em relação a masculina no mesmo período, consolidando a presença das mulheres em áreas como promoção de vendas e estética
Lenon de Paula – Secom – PMSM
O empreendedorismo feminino assume o protagonismo como importante vetor do desenvolvimento de Santa Maria. De janeiro a setembro de 2026, a cidade registrou 2.930 novas mulheres empreendedoras, o que representa 42,5% de todas as pessoas que formalizaram uma atividade no período.
Esse engajamento refletiu diretamente na economia local: a presença feminina impulsionou a abertura de 2.802 empresas (negócios com ao menos uma mulher no quadro societário), o equivalente a 43,4% do total de novos empreendimentos inaugurados na cidade. Desse montante, 2.639 empresas foram constituídas exclusivamente por mulheres.
O número de novas empreendedoras aponta um crescimento de 15,2% em relação aos mesmos meses de 2025, ritmo superior ao avanço masculino, que cresceu 13,1% no mesmo intervalo de tempo. Os dados integram o levantamento “Ecossistema das Empreendedoras em Santa Maria”, divulgado em outubro pelo Observatório Econômico de Santa Maria, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação.
“Os números do Observatório Econômico traduzem em dados o que já percebemos no dia a dia da cidade: a força e o protagonismo da mulher santa-mariense. Saber que quase 3 mil mulheres decidiram empreender em apenas nove meses mostra a confiança na nossa economia e, acima de tudo, a coragem para buscar a independência e a realização profissional. O papel da Prefeitura é continuar trabalhando para desburocratizar serviços, oferecer capacitação e criar um ambiente seguro para que esses negócios, que hoje nascem como MEI, prosperem e gerem ainda mais empregos e renda para Santa Maria”, avalia o prefeito Rodrigo Decimo.
PERFIL E ATIVIDADES
O raio-x econômico aponta que a ampla maioria das empreendedoras santa-marienses atua como Microempreendedora Individual (MEI), formato que concentra 63,6% dos novos registros femininos. A autonomia também marca o perfil dessas lideranças: 75,5% delas são titulares de empresas individuais, conduzindo as atividades sem a presença de sócios. A faixa etária predominante das empresárias que abrem sociedades fica entre 31 e 40 anos.
O mapeamento identificou que a atividade com maior número de novas empreendedoras neste ano foi a de “Promoção de vendas”, com 233 mulheres, seguida pelas áreas de “Cabeleireiros, manicure e pedicure” (145), “Varejo de vestuário e acessórios” (130), “Apoio administrativo e documentos” (123) e “Malote e entregas” (97).
Alguns nichos específicos de mercado apresentam dominância quase total do público feminino, como a confecção de roupas (onde as mulheres respondem por 100% das aberturas), estética (98%) e costura sob medida (94%).
DISTRIBUIÇÃO PELOS BAIRROS
O estudo mapeou a distribuição territorial das novas empreendedoras ao longo de 55 bairros de Santa Maria. Em números absolutos, o Centro lidera os registros femininos, com 460 novas empreendedoras em 2026. Na sequência, aparecem Camobi (361), Pinheiro Machado (145), Nossa Senhora de Fátima (132) e Nossa Senhora do Rosário (123).
Ao analisar a proporção por região, o Bairro Nossa Senhora de Fátima se destaca como o território de maior força do empreendedorismo feminino: 52,4% de todas as pessoas que empreenderam no local em 2026 são mulheres. Os bairros Patronato e Uglione também atingem a paridade de gênero corporativo, registrando 50% de participação feminina nos registros recentes.
“Ter esse diagnóstico exato, mapeando bairros e nichos, nos permite desenhar políticas públicas mais assertivas, seja na oferta de microcrédito orientado, na capacitação técnica ou no estímulo para que essas empreendedoras cresçam e evoluam do formato MEI para a microempresa”, considera o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Ronie Gabbi.