DISCURSO DOS INTERESSES DA CIDADE É PAPO FURADO
Com quatro vereadores certos em sua base, o prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) não vê outro caminho que não ampliar sua base na Câmara.
Maioria tranquila, como ele teve no início do primeiro governo, é praticamente impossível pelo desenho da atual legislatura.
Então, resta ao prefeito ao menos tentar minimizar o impacto de uma oposição forte no Legislativo ao ponto de inviabilizar algumas iniciativas vitais para a sua segunda gestão.
Essa história de que os projetos “de interesse da cidade prevalecem acima das questões partidárias” é papo-furado. Nem sempre é assim. E o preço por apoios eventuais, na maioria das vezes, é bastante caro.
Vale para todos os governos que não têm maioria, das prefeituras ao governo federal, passando pelos governos estaduais.
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VALE TUDO OU QUASE TUDO POR MAIORIA PARLAMENTAR
É só prestar atenção no discurso apelativo e as articulações do governador Eduardo Leite (PSDB) na Assembleia Legislativa e a aproximação do presidente Jair Bolsonaro (atualmente sem partido) com o Centrão, que ele tanto condenava.
O próprio Pozzobom, no governo passado, levou o PMDB (hoje, MDB) para a prefeitura, arranjo que resultou em cargos para adversários.
O governo tucano contou com os emedebistas até o início do ano passado, quando secretários saíram para concorrer, entre eles o então secretário de Saúde, Francisco Harrisson, que retornou à Câmara e acabou sendo vice do principal adversário à reeleição.
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O PODER DA ATRAÇÃO ENTRA EM JOGO
Diante de um novo cenário que se desenha com uma oposição, com PP (Progressistas), PT e MDB, Pozzobom tenta atrair vereadores de algumas siglas que não o apoiaram.
É o caso do ex-presidente da Câmara, Adelar Vargas (MDB), o Bolinha, e dos republicanos Alexandre Vargas e Delegado Getúlio, que tiveram candidato do próprio partido no primeiro turno.
Vereador em segundo mandato, Bolinha afirma que não foi procurado por ninguém do governo, muito menos pelo prefeito.
No entanto, corre uma conversa dentro do MDB de que ele seria um dos alvos para compor a base governista.
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“O MANDATO É MEU, DIZ EMEDEBISTA
Apesar de jurar que não foi procurado, Bolinha, no entanto, deixa uma porta escancarada para o governo Pozzobom.

Bolinha disse ao colunista que está “na expectativa” (de uma conversa ou proposta) e que seu objetivo é “ajudar a cidade”.
Mesmo ponderando que tem que ouvir o partido e a bancada, o vereador argumenta que “o momento não é de raiva, mas, sim, de discutir o que é melhor para cidade”.
Questionado sobre eventuais resistências no MDB a um convite do governo, ele foi taxativo: “O mandato é meu”.
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REPUBLICANOS NA LIDERANÇA DO GOVERNO?
Outro parlamentar que está na mira do governo Pozzobom é Alexandre Vargas. Nesse caso, aliás, o alvo, mesmo, é o Republicanos.
Reeleito para um segundo mandato com a maior votação entre os 21 vereadores eleitos, Alexandre, que preside o Republicanos em Santa Maria, estaria cotado para líder do governo.

Ao paralelo29.com o vereador garantiu que não procedem as especulações de que ele será o líder do governo . “Não procede, não tem cabimento”, garantiu o presidente do Republicanos.
Já quanto a participar da base governista, aí o papo é outro, e envolve, evidentemente, os interesses (ou ideais, como prefere dizer o parlamentar) do seu partido.
“Nós estamos pensando, eu e o Delegado Getúlio, se ficamos na neutralidade ou na base do governo, mas não tem nada, nada, nada certo, ainda”, afirma, categoricamente.
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REAPROXIMAÇÃO NÃO É DE AGORA
Para lembrar, no mandato passado, Alexandre começou apoiando o Executivo e, depois, se afastou.
No entanto, na festa da reeleição de Pozzobom, ele foi até o comitê que acompanhava a apuração dos votos para abraçar o prefeito reeleito.
Daí que se pode deduzir que há uma relação muito próxima novamente. Talvez muito mais próxima do que a anterior.
E que poderá resultar na ida do Republicanos para a base de sustentação governista com a nomeação de CCs na prefeitura.
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MAIS QUE UMA VISITA PROTOCOLAR E INSTITUCIONAL
Já na manhã desta quarta-feira (10), o que seria uma visita oficial e protocolar do presidente interino da Câmara, Paulo Ricardo Pedroso (PSB), ao chefe do Executivo, poderá ter sido bem mais que isso.

Paulo Ricardo foi ao Centro Administrativo para uma reunião na qual tratou, segundo a prefeitura, “sobre questões de governo, demandas da comunidade e a importância de um trabalho cada vez mais próximo entre os poderes Executivo e Legislativo”.
O vereador, por sua vez, gravou um vídeo de parte da conversa (se supõe que tenham conversado além do que está gravado para as redes sociais).
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DUAS COISAS A CONSIDERAR
1- No segundo turno da eleição para prefeito, Paulo Ricardo ficou neutro e Danclar Rossato, o outro vereador do PSB, apoiou o então vice-prefeito Sergio Cechin (PP), principal adversário de Pozzobom.
2 – Na eleição da Mesa Diretora da Câmara, a bancada do PSB compôs uma chapa de “oposição” ao governo juntamente com PP e MDB.
Nada que não se possa resolver quando se tem uma reforma administrativa em andamento na prefeitura.
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OPOSIÇÃO AINDA SEM LÍDER
E a oposição ao governo municipal ainda não tem liderança formal na Câmara de Vereadores, aquela que é a porta-voz oficial dos opositores na tribuna da Casa.
Pelo jeito, não está fácil resolver quem ficará com a função.
Explico: PP, MDB e PT são os três maiores partidos oposicionistas, somando 10 vereadores. No entanto, PP e MDB excluíram o PT (ou o PT se autoexcluiu) da chapa que venceu a eleição para a direção da Câmara.
Como PP e MDB têm maioria, sem contar com o PSB, PDT e o PSL, que também integraram a chapa “de oposição” ao governo, é certo que não vão abrir mão tão fácil dessa liderança. E os petistas, por sua vez, também não.
Ah! Pablo Pacheco (PP) está entre os cotados para assumir o posto. Já pela bancada petista, as chances são de Valdir Oliveira e Ricardo Blattes. Até teria sido oferecida a vice-liderança ao PT, que não aceita.

Do que se conclui que poderá haver dois blocos de oposição: um oficial, com PP, MDB e os demais aliados, e outro, não formal, com petistas e o PCdoB.
Quem estiver muito curioso deverá aguardar mais uns dias, pelo menos, pois os vereadores retornam do recesso na próxima semana.
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DÚVIDAS QUE FICAM
1 – O vereador Tony Oliveira (PSL) continuará na oposição ao governo ou o vice-prefeito Rodrigo Decimo, que é do mesmo partido, conseguirá levá-lo para a base governista?

2 – A vereadora Luci Tia da Moto (PDT) e os vereadores do PSB também irão se manter na oposição?
3 – Bolinha irá mesmo para a base governista mesmo que o MDB seja contra o apoio a Pozzobom?
4 -E como ficará a relação de Bolinha com a bancada, que tem, ainda Tubias Callil e Rudys?
5 – Haverá como contentar todo mundo no governo, incluindo os apoiadores do primeiro turno?
6 – Como será a vida do governo na Câmara caso fique com a base original, que abrange três vereadores do PSDB e um do DEM?
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POSSÍVEIS RESPOSTAS
1 – Pode ser que o vice-prefeito faça essa frente, se já não foi feita
2 – Talvez
3 – Tudo indica que sim
4 – O tempo dirá
5 – Improvável
6 – Complicada

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