FABRÍCIO SILVEIRA
Professor universitário, pós-doutorando em Comunicação
Jeferson Tenório escreveu O Avesso da Pele, um dos melhores senão o melhor livro de 2020.
No embalo desse sucesso de crítica e de público – uma conquista, aliás, consolidada com trabalho e merecimento, ao longo dos últimos anos, com outras publicações igualmente destacadas –, tornou-se o patrono da última Feira do Livro de Porto Alegre.
Foi convidado para inúmeros eventos e fóruns de discussão sobre literatura e a conjuntura social de nosso país.
Deu entrevistas Brasil afora e projetou a literatura gaúcha para além de nossas fronteiras.
FABRÍCIO SILVEIRA – OPINIÃO: O eterno retorno do fascismo (III)
Tendo se tornado uma voz de destaque, começou a escrever quinzenalmente num dos principais jornais do estado.
Em suas crônicas, passou a dizer o que pensa sobre o racismo estrutural instalado em nossa sociedade, sobre as políticas desastrosas do atual governo, sobre a ânsia de morte e a fúria persecutória que hoje animam parte da população brasileira.
Num de seus textos – um dos mais lúcidos e delicados que li –, chegou a defender o educador Paulo Freire.
Ontem, Jeferson Tenório prestou queixa numa delegacia de polícia de Porto Alegre. Relatou as ameaças que vem sofrendo nas redes digitais simplesmente por dizer o que pensa.
FABRICIO SILVEIRA – Opinião: O eterno retorno do fascismo (II)
Em paralelo às mortes que não cessam – e a dor de cada uma delas é incomparável e intransferível –, somam-se agora, cada vez mais, as tentativas de silenciamento e intimidação conduzidas pelos setores mais fundamentalistas, embrutecidos e impermeáveis do bolsonarismo.
Diversos jornalistas – e outros tantos escritores – têm se deparado com interferências e perseguições semelhantes.
Algo parecido ocorreu há poucos dias com o youtuber Felipe Neto, numa interpelação judicial solicitada por Carlos Bolsonaro.
Na mesma semana, um pequeno jornal do interior de São Paulo foi alvo de um incêndio criminoso.
FABRÍCIO SILVEIRA – Opinião: O eterno retorno do fascismo (I)
Trata-se – como vemos, esse é o procedimento – de calar as vozes discordantes. E tanto melhor se forem eliminadas. Se for necessário, que sejam fisicamente eliminadas.
Essas brigadas raivosas são cegas e incapazes de operar fora do sistema de crenças ao qual aderiram. O que lhes move é um dogma.
Nada, nem mesmo a morte, nem mesmo a triste realidade que hoje se impõe a nós, irá demovê-las.
Jamais perceberão que o presidente eleito é incompatível com a constituição de 1988, com a experiência democrática e a vida republicana.
Jamais irão perceber que se comporta como um arruaceiro sem projeto, um agitador cujo propósito é instalar o caos para se alimentar dele.
FABRICIO SILVEIRA – Opinião: Tolos, fraudes e militantes
Jamais irão compreender – irão achar subterfúgios, explicações delirantes e tendenciosas, irresponsabilizações – que o sucesso do bolsonarismo, na prática, é a destruição do país e de suas instituições.
O que se impõe aos brasileiros, nos dias que correm, é o avesso do bom senso, o avesso da civilidade, os avessos da política, da ciência e do bem comum.
Pois que venham os ataques. Para que passem e desvaneçam logo, além de confirmarem o que não nos cansaremos de dizer.

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