GILSON PIBER
Jornalista
A pandemia da “gripezinha” segue matando brasileiros. O país avança para as 400 mil mortes e o “liberou geral” nas restrições aumenta a cada semana, afinal de contas, “a vida continua” e o “Brasil não pode parar”.
Volto a dizer: não sou contra a economia, só peço que os cuidados sanitários sejam mantidos. A saúde das pessoas precisa ser preservada, assim como os negócios.
Existe uma relação direta entre saúde e economia. Eu ainda tenho medo da Covid-19. O vírus está aí e, sim, causa mortes.
Um levantamento da Hibou*, empresa de pesquisa e monitoramento de mercado e consumo, indica que metade dos brasileiros ainda sente medo após um ano de pandemia.
Em 10 dias, abril já tem 51 mortes por Covid em SM
A pesquisa mostrou que 78,4% da população sente preocupação com toda essa situação, 59,2% está insegura, 51,8% está cansada, 50,5% sente medo e 38,5% sente exaustão.
Porém, muitos estão otimistas frente ao cenário, já que 48,2% sente esperança e 42,9% sente mais empatia com o próximo.
Os números que mais afetam o desgaste emocional são o medo de alguém de casa ou da família ficar doente, para 80,1% das pessoas, e a falta de ação do governo, para 58,6%.
Liberou geral? Ainda não, mas restrições caíram bastante em Santa Maria
Sobre as ações de isolamento, 23,2% se sente pior por não encontrar os amigos, 22,7% por não poder sair de casa, 19% se incomoda por ter que utilizar máscara na rua e 16,9% por ter ficado sem trabalho e não viajar.
Sobre o número de mortes por coronavírus, 60,2% afirmou que perdeu alguém que era próximo de um conhecido, e quase metade dos entrevistados (49,6%) relatou que perdeu algum familiar ou amigo.
Apenas 9,3% não perdeu ou conhece alguém que tenha perdido alguém para o coronavírus.
GILSON PIBER – Opinião: “A boca e o cérebro”
A pesquisa revelou que apenas 7 em cada 10 brasileiros estão aplicando os principais protocolos de biossegurança, 79,2% segue utilizando uma máscara ao sair de casa, 73,0% lava a mão com mais frequência, 70,4% evita locais públicos, 69,9% reduziu visitas à casa de amigos, 47,9% se policia para não encostar em superfícies públicas (maçanetas, botão de elevador e etc.) e 46,8% tenta não tocar o rosto na rua.
O brasileiro (46%) se informa sobre a situação da pandemia principalmente pelas redes sociais. Aqui, confesso, uma enorme decepção.
Talvez boa parte do negacionismo sobre a Covid-19 venha dessa escolha de meio de informação.
Já home office segue como opção de regime de trabalho para 20,9%.
GILSON PIBER – Opinião: Discursos atrasados
Em comparação entre o ano de 2020 e 2021, ficou claro também que tudo está muito mais intenso e corrido, já que essa sensação passou de 12,3% para 25,7% esse ano.
O mesmo para a quantidade de pessoas que fazia tudo com mais calma e em ritmo mais humano, o número caiu de 57,7% para apenas 22,9% atualmente.
Uma fatia de 64% continua em casa e saindo estritamente para o necessário, 31,4% continua trabalhando normalmente fora de casa, mas tomando os devidos cuidados e 12,4%, segue em casa, mas saindo mais que no início da pandemia. 2,7% não acredita mais na quarentena e parou com o isolamento social e apenas 1% nunca fez.
GILSON PIBER – Opinião: Música e escolhas
A pesquisa também abordou a opinião da população sobre o fechamento das atividades e comércio nas últimas e próximas semanas.
Atividades como escolas (43,9%), bares (39,2%), academias (49,4%), shoppings (32,3%) e parques e praias (63,7%) deveriam fechar completamente por mais uma semana.
A abertura dos supermercados (48,8%) é a única atividade que, segundo a população, deveria funcionar normalmente.
O brasileiro considera diferente o consumo na mesa entre bares e restaurantes, já que, para alimentação, 41,6% acreditam que é um serviço que deve continuar funcionando, mas apenas por delivery e internet.
GILSON PIBER – Opinião: Vacinação precisa avançar
Já os serviços gerais (40,8%), como cabeleireiro e lavanderia, ao lado de fábricas e indústrias (43,9%), deveriam funcionar em horário reduzido.
Um total de 1.698 brasileiros respondeu a pesquisa da Hibou, de forma digital, entre 29 e 30 de março de 2021, garantindo 95% de significância e 2,38% de margem de erro nos dados revelados.
A pesquisa engloba níveis de renda ABCD e todas as faixas etárias. Entre os entrevistados, 57% tem idade entre 36 e 55 anos, 55% são mulheres, 35% mora em residências com dois moradores e 47% segue algum regime de home office.
GILSON PIBER – Opinião: O dicionário e a perversidade
Alguns dirão que é uma simples pesquisa. Tudo bem. Mas ela oferece dados relevantes.
Creio que o levantamento serve para gerar uma reflexão sobre o comportamento das pessoas durante essa pandemia.
Você tem medo da Covid-19? Eu tenho.
*OBS: com dados da pesquisa Hibou.

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