Assim que o Brasil passou a vacinar pessoas contra a Covid-19 com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxofrd e pelo laboratório AstraZeneca surgiram relatos de reações adversas, inclusive em Santa Maria.
Diante disso, leitores do Paralelo 29 questionaram se deveriam ou não se vacinar com esse imunizante.
A resposta é sim porque os benefícios são muito maiores que eventuais riscos raramente constatados.
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Não vá atrás de notícias falsas. Vacine-se!
Diante de boatos e fake news contra as vacinas de parte de pessoas ignorantes ou mal intencionadas, várias cidades registraram queda nas filas de vacinação quando as pessoas descobriam que o imunizante oferecido era o Oxford/AstraZeneca.
As secretarias de saúde do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Amazonas e Espírito Santo também notaram um desinteresse da população em tomar a vacina de Oxford.
Diante desse quadro, as autoridades de saúde são unânimes ao afirmar que vale a pena se vacinar e se proteger contra a Covid-19, responsável pela morte de quase 420 mil brasileiros.
Risco de trombose é muito baixo
Em reportagem da Agência Brasil, a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Balallai, explica que o risco de trombose pós vacina, um dos efeitos colaterais apontados, é muito baixo.
Segundo Balallai, o risco de alguém ter trombose por causa da vacina de Oxford é, inclusive, menor do que com medicamentos usados em larga escala pela população.
Isabela Balallai traz outro dado importante: o risco de ter trombose quando se pega a Covid é muito maior do que quando se toma a vacina de Oxford.
Por isso, afirma a especialista, é muito mais seguro se imunizar do que ficar suscetível ao vírus.
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Qualquer vacina ou medicamento pode causar reações
Especialistas esclarecem que qualquer vacina ou medicamento pode causar reações adversas nas pessoas.
Desta forma, esses efeitos colaterais podem ser leves, moderados ou até mesmo graves, conforme a pessoa.
No entanto, como as vacinas usadas no Brasil são aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é um órgão regulador, as pessoas podem tomar tranquilas.
Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que fabrica o imunizante no Brasil, recomenda a continuidade da vacinação.
Isso porque, de acordo com especialistas, os benefícios superam, em muito, os riscos, já que a vacina oferece alto nível de proteção contra todos os graus de severidade de Covid-19.
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Fiocruz acompanha relatos e reforça eficácia da vacina
A Fiocruz informou, ainda, que está reforçando o acompanhamento desses eventos adversos para gerenciar todos os riscos possíveis.
Outra informação importante, conforme a Fiocruz, é que a vacina Oxford/AstraZeneca estimula resposta imune capaz de neutralizar a variante P1, conhecida como cepa de Manaus.

Vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger apresentou, no dia 22 de abril , estudos indicando a efetividade da vacina de Oxford “no mundo real”, quando a eficácia dos testes clínicos é posta à prova.
Krieger disse que as pesquisas confirmam que há no Brasil uma variante com capacidade maior de transmissibilidade, que é a variante que surgiu na capital do Amazonas.
“A boa notícia é que, apesar de todas essas características, a vacina, neste momento e para essa variante, tem a condição de ser utilizada como uma ferramenta de controle”, ressaltou.
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CONHECENDO MELHOR A VACINA OXFORD/ASTRAZENECA
- A vacina de Oxford é uma das mais aplicadas no mundo atualmente
- Tem outras vantagens, como o custo mais baixo e a possibilidade de armazenamento em refrigeradores menos avançados, com temperaturas de 2 a 8 graus Celsius
- O imunizante traz um incremento de resposta imune que vai além da produção de anticorpos
- A tecnologia utilizada na fabricação da vacina instrui as células humanas a produzirem trações do antígeno, que, em seguida acionam as defesas do corpo humano
- Nas tecnologias tradicionais, as vacinas têm o vírus inativado (morto), ou vivo e atenuado (enfraquecido)
- As chamadas vacinas de segunda geração
O que os estudos têm apontado, segundo o vice-presidente da Fiocruz, é que as vacinas de segunda geração têm demonstrado desempenho maior na defesa chamada de resposta celular, que se dá quando o corpo humano destrói as células que já foram infectadas pelo vírus, impedindo que ele as utilize para se replicar. Essa é uma linha de defesa complementar ao ataque que os anticorpos promovem contra os micro-organismos invasores.
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Revolução na geração de imunizantes
São vacinas de segunda geração tanto as vacinas de RNA mensageiro, como as da Pfizer e da Moderna, quanto as de vetor viral, como a Oxford/AstraZeneca, a Sputnik V e a Janssen.
“Estamos vivenciando uma verdadeira revolução no campo das vacinas. Elas foram desenvolvidas de uma maneira muito rápida e estão demonstrando efetividades muito maiores do que as das vacinas tradicionais”, afirma Krieger.

Um estudo publicado recentemente pela Fiocruz em parceria com a Universidade de Oxford e outras instituições indica que os anticorpos produzidos pela imunização reconhecem mais a variante britânica e menos a variante sul-africana, que acumula um número maior de mutações.
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Eficaz contra variantes do coronavírus
A variante P1, brasileira, fica em uma posição intermediária nessa escala. Quando é analisada a resposta imune celular, entretanto, dados de outro estudo publicado por uma universidade americana mostram que ela não se altera de forma significativa diante das variantes.
“Os resultados são ainda melhores. Na verdade, as variantes de preocupação, até esse momento, têm causado um impacto muito menor nessa resposta celular”, disse Krieger.
“Isso dá uma confiança maior de que essa vacina terá condição de manter, frente à variante brasileira, esses dados de efetividade”, afirma Krieger.
Outros países também monitoram
O acompanhamento da vacinação ao redor do mundo também já tem produzido os primeiros dados nos estudos chamados de fase 4, ou farmacovigilância.
As fases 1, 2 e 3 dos estudos clínicos são as que garantem a eficácia e a segurança da vacina antes da disponibilização à população.
Na fase 4, é analisado o desempenho do imunizante já registrado por agências reguladoras e disponível à população, o que gera dados importantes e de maior escala sobre eventos adversos, duração da imunidade e confirmação da eficácia.
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Pesquisa cita reações comuns nas vacinas contra Covid-19
Integrante do Comitê de Acompanhamento Técnico-Científico das Iniciativas Associadas a Vacinas para a Covid-19 e membro do comitê de especialistas em vacinas da Organização Mundial de Saúde, a pesquisadora Cristiana Toscano afirma que as vacinas contra Covid-19, em geral, têm apresentado alguns eventos adversos mais frequentes.
Entre eles estão dor no local da injeção, febre, cansaço, dor muscular e dor de cabeça, pontua a pesquisadora.
“Muito semelhantes a eventos relacionados à vacinação ou pós-vacinação de outras vacinas, para outras doenças”, compara Cristiana Toscano.
Comunidade científica investiga caso do Reino Unido
No caso da vacina Oxford/AstraZeneca, chamou a atenção dos pesquisadores a ocorrência de eventos bastante raros ligados à formação de coágulos na corrente sanguínea (trombose) associada a uma baixa contagem de plaquetas (trombocitopenia).
No Reino Unido, país que aplicou o maior número de doses da vacina, foram identificados quatro casos a cada 1 milhão de vacinados.
As causas estão sendo investigadas pela comunidade científica internacional, mas Cristiana Toscano reforça a recomendação da vacinação.
A pesquisadora lembra que qualquer medicamento envolve riscos de eventos adversos e que, quando comparados à proporção que ocorreram nos vacinados, episódios semelhantes de formação de coágulos são mais frequentes entre fumantes, mulheres que usam anticoncepcionais e principalmente pessoas que contraem covid-19.
Se entre cada 1 milhão de vacinados, 4 apresentaram o evento adverso raro no Reino Unido, episódios de trombose foram observados em 165 mil de cada 1 milhão de casos de Covid-19, cita a pesquisadora.
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Vacina Oxford/AstraZeneca previne 90% das hospitalizações
“A gente já tem estudos de efetividade que mostram que a vacina da Oxford/AstraZeneca previne aproximadamente 90% de hospitalizações e quase a totalidade de óbitos, e, considerando os riscos de hospitalização em UTI e morte por covid, os benefícios da vacinação são muito superiores a qualquer eventual, e a esse especificamente, risco possivelmente associado à vacina”, destaca.
Toscano reforça a recomendação de órgãos internacionais de que seja feito um monitoramento rigoroso dos eventos adversos, com orientações para que a população comunique possíveis reações ao sistema de saúde.
Para quem apresentar episódios de trombose associados à baixa contagem de plaquetas depois da primeira dose, a recomendação é não receber a segunda dose.
(Com informações da Agência Brasil)

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