KYDO
Escritor e poeta
Eu terminei o último ensaio com uma afirmação temerária. Disse eu: As estruturas informacionais podem ser encaradas como ondas atravessando o tempo sem serem deformadas, ou como estruturas do tempo sendo atravessadas pelo espaço sem sofrerem deformações.
Mas o que eu quis dizer exatamente com isso? (Droga, esse é o meu problema com a minha técnica de pensar. Fundamentalmente me coloco em maus lençóis e depois tento escapar por alguma tangência que até pode ser uma digressão como essa).
Mas voltando ao assunto, é fato que momentaneamente, ao longo da minha existência, consigo manter uma determinada opacidade ao Universo. Muito embora o tempo flua, e que o espaço também flua (não nos esqueçamos que o espaço se expande) o espaço em mim, e dentro de mim, e o meu espaço interno dentro do tempo e o meu tempo dentro do espaço permanecem aparentemente incólumes.
KYDO: As Fronteiras Informacionais
Um dia vamos morrer
Aparentemente, só aparentemente. Não nos esqueçamos que um dia eu vou morrer, aliás, isso não é uma prerrogativa minha, é uma característica da espécie, talvez até da vida.
Então, que fiquemos cientes todos que apesar da esfericidade ou planicidade da esfera terrestre, todos nós vamos morrer: um por um, e posso lhes garantir que o momento será único e unívoco para cada um de nós. Não vou debater a esfericidade do Paraíso porque isso já está em outros planos.
Mas o que ocorre quando morremos? Bem, ocorre uma bagunça completa. As estruturas informacionais que mantinham meu corpo se desfazem, todas e quase que ao mesmo tempo. Aquelas estruturas que me habitavam e mesmo assim eram mantidas sob meu controle enfrentam todas elas a aventura de um Universo que se desfaz.
Elas tomam conta dos despojos. A fronteira informacional é rompida. Não sou mais eu, não sou mais. Mas as partículas que me compunham, seus prótons, nêutrons, elétrons, quarks etc. permanecem e serão absorvidas por outras formas de estruturas informacionais.
KIDO: O significado da insignificância (Parte II)
Tudo se transforma em ausência
Todas as lembranças que eu trazia em mim, todas as memórias, toda a cultura, todo aprendizado, todas as aventuras e felicidade agora não terão nenhum significado que as sustente, e o que por tempos foi presente aos poucos se transforma em ausência. Mais uma vez reforço, não posso debater a esfericidade do Paraíso porque isso já está em outros planos, mas todas as informações processadas e acumuladas agora se perdem.

Espero não ter sido tétrico demais ao relacionar a morte com a destruição da fronteira informacional e, principalmente, da estrutura informacional. Mas eu não quero falar sobre a morte como um evento insólito e derradeiro (aquele que nunca pode ser avaliado por aquele que tem a experiência) de qualquer estrutura informacional, quer seja eu ou a nossa velha e querida Ameba que me acompanha.
Antes, a minha preocupação é a relação que a morte tem com o Universo. E aceitando-se que isso tem a ver com a quebra de estruturas e fronteiras de informação, no que isso afeta o comportamento do Universo em si, e por que é do jeito que é?
A morte em si, é corriqueira. Ela faz parte. Mas por que ela ocorre?
KYDO: O significado da insignificância (Parte I)
Equações e distribuição de energia
Já falamos que todas as estruturas informacionais emergem de um estado de equilíbrio dinâmico. Mas essas estruturas estão, todas elas, sujeitas às leis fundamentais da Física. E a Segunda Lei da Termodinâmica parece ter particular manifestação aqui. De que modo então a Termodinâmica surge dentro da Teoria da Informação?
Muitos dizem que é através da Entropia. Não sei. É verdade que as equações que definem a Entropia são identicamente formais à equação que define o bit de informação. Mas é só. A Entropia tem a ver com a distribuição de Energia em sistemas fechados.
O bit é unidade de medida de tamanho de mensagem dentro de sistemas de comunicação (só pode ser avaliado dessa forma e só o é na presença de um receptor). Não importa a quantidade de bits emitidos, importa é a quantidade de bits recebidos, e é isso que constitui a mensuração da mensagem. Mas onde então o porquê das medidas de emissão e recepção serem díspares?
KYDO – Crônica: O Universo é vivo – Cosmologia da Informação
Por que a gente grita na balada?
Dentro da Teoria da Informação temos um Conceito chamado de Ruído, grosso modo trata do fato de que uma mensagem quando está a caminho do seu destinatário sofre uma interferência do meio onde ela se propaga. Isso faz com ela não chegue ao seu destino exatamente igual a maneira como foi emitida. Conversar com alguém na balada é um bom exemplo de ruído.
Nas mensagens corriqueiras isso é facilmente contornável por um fenômeno (natural, por incrível que pareça) chamado de Redundância. Significa emitir várias vezes a mesma sequência de bits para garantir que ao menos uma delas seja captada.
A redundância na Fala Humana, quando calculada, chega a números absurdos. Mas não nos esqueçamos que ela surgiu naturalmente, e como natural também é corriqueira. Na Balada, o Ruído é maior, e muito, a Redundância também tem que ser. Por esse motivo a gente grita e repete várias vezes a mesma coisa até ser entendido.
Paralelo 29 resgata Kydo, poeta e escritor, que andava sumido
E vem o envelhecimento
O fato é que a nossa fronteira não é inviolável. Se assim o fosse seríamos imortais (ou quase), mas o fato é que pentilhões e pentilhões de informações indetectáveis atravessam a nossa estrutura a cada segundo sem serem detectadas.
Não detectáveis é vero na estrutura consciente. Isso não implica que não o sejam nas estruturas inferiores (àquelas por debaixo da fronteira epidérmica) e façam um tremendo estrago. E fazem.
No ser humano (não vou falar em outros seres e nem na minha Ameba de estimação) esse estrago é chamado de envelhecimento. Não vou descrever a velhice, só quem é velho sabe como é. E só quem é bem mais velho sabe como é ser bem mais velho.
O fato é que é tão impactante, e o tempo é tão precioso, que você com 90 anos ao conversar com o velho amigo de 91 sente-se uma criança. Essas são as diferenças mais marcantes da idade, sendo a ausência de futuro a melhor delas.
DIOMAR KONRAD – Crônica: O estagiário do Kydo
O criador, aos poucos, se desfaz
Sempre que puder vou postar vídeos que exemplifiquem a idéias que exponho. Quando falamos de envelhecimento como consequência do ruído pode nos passar despercebido que o envelhecimento existe.
Para demonstrar isso de forma prática trouxe três links, do mesmo artista (de quem eu gosto muito como compositor e músico) em 3 fases distintas da carreira interpretando a mesma música ao vivo. Está no YouTube. Vocês vão entender.
É interessante notar que o constructo, a obra em si permanece intacta. Mas não o executor, o criador. Ele deixa atrás de si mensagens que serão que se perpetuarão, enquanto ele, a fonte de criação, aos poucos se desfaz.
MEL INQUIETA: Três poemas e um manifesto em tempos covidianos
A vez de abordar a vida
Não sei como continuar no próximo Ensaio. Fiquei razoavelmente deprimido hoje porque a morte me deprime sempre.
Como nessa sequência de escritos não há nada combinado eu posso sempre determinar os rumos a seguir.
Assim, acho que vou deixar o tema da Morte por enquanto (tem muito o que falar sobre isso) e vou abordar um pouco o tema da Vida e do Porquê da Vida e do porquê você também é importante embora, eventualmente, também seja inútil. Informação e vida são meu próximo tema: a relação entre uma e outra.

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