Paralelo 29

Santiago registrou fenômeno do “entardecer vermelho”

Foto: Defesa Civil de Santiago, Divulgação

Moradores de Santiago, na Região Central do Rio Grande do Sul, registraram o fenômeno do “entardecer vermelho” ou “entardecer avermelhado”, no final da tarde dessa terça-feira, 1º de fevereiro. A Defesa Civil Municipal fez até uma fotografia com drone do fenômeno provocado pela erupção no arquipélago de Tonga, no Pacífico Sul.

A Defesa Civil fez o registro no momento em que o sol estava se pondo, deixando a Terra dos Poetas ainda mais bonita. Segundo Márcio Brasil, assessor de comunicação da Prefeitura de Santiago, muitos santiaguenses aproveitaram para postar fotos nas redes sociais “sem imaginar que as belas cores foram causadas por um vulcão”.

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Mais potente que a bomba atômica

Conforme a Nasa divulgou, a explosão do vulcão submarino foi centena de vezes mais potente do que a bomba atômica lançada pelos Estados Unidos da América (EUA) em Hiroshima, no Japão, durante a segunda guerra mundial.

Com isso, partículas de sulfato subiram para a atmosfera e viajaram mais de 13 mil quilômetros, chegando ao Brasil. A interação das partículas com a luz do sol ao entardecer causou uma colocação diferente, em tons avermelhados, chamando a atenção de moradores de vários municípios.

O fenômeno também foi visto no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na última semana de janeiro, o céu de São Paulo adquiriu um tom mais rosado, principalmente nas primeiras horas do dia.

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Pesquisadora da USP explica fenômeno

De acordo com Marcia Yamasoe, professora e pesquisadora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), a coloração no céu de São Paulo, percebida principalmente no amanhecer do dia 26 de janeiro, foi resultado da erupção do vulcão submarino Hunga-Tonga-Hunga-Ha´apai, que devastou o arquipélago de Tonga, no Pacífico Sul, lançando partículas para a alta atmosfera.

Em entrevista à Agência Brasil, Marcia Yamasoe disse que é possível confirmar que as partículas expelidas pelo vulcão de fato chegaram ao Brasil. 

“As imagens de satélite mostraram quando a pluma [que consiste em cinza vulcânica] chegou e tem um pesquisador do Ipem [Instituto de Pesos e Medidas] que tem uma instrumentação e identificou claramente a chegada dessa pluma no dia 26 de janeiro, por volta das 4h da manhã”, disse ela.

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Erupção vulcânica

Isso ocorreu porque a atividade vulcânica em Tonga foi muito intensa, permitindo com que o material fosse lançado para a estratosfera. Estando nessa camada, o material pôde ser transportado mais facilmente e viajar longas distâncias, chegando ao Brasil.

“A primeira coisa é que esse material, os gases dessa erupção vulcânica, conseguiu chegar na estratosfera, que é uma camada que fica acima da troposfera, que é onde a gente fica”, explicou a professora.

“Nessa camada da atmosfera, a troca, o processo de deposição, é muito mais lento. Então, se conseguir chegar lá em cima, a probabilidade desse material ficar por mais tempo lá é bem grande. Aqui embaixo (na troposfera), a chuva e as nuvens, conseguem remover muito mais facilmente”, disse.

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Cientista dá dica para fotografar

Segundo a professora, ainda não é possível afirmar quanto tempo vai durar esse fenômeno. Essa pluma continua circulando e deve dar a volta ao mundo. E, quando ela voltar ao Brasil, possivelmente já estará mais diluída.

“Ela vai ficar circulando, até ela se depositar. Mas acredito que quando ela voltar, ela já vai estar bem mais diluída. Mas se ela voltar, é acordar bem cedinho para tentar detectar e tirar fotos”, falou.

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Gases não trazem riscos à população

Para todo mundo ficar mais tranquilo, a pesquisadora explica que esses gases não trazem riscos para a população brasileira. Então, é possível observar e registrar o fenômeno.

“Como está há 26 km, muito alto, antes de se depositar e chegar aqui embaixo, essa pluma vai se dissolvendo, vai se espalhando cada vez mais. Então, quando começar a depositar, vai ficar em quantidades tão pequena que, realmente, para a população não há risco”, garante.

Tonga está localizada no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma das áreas de maior atividade sísmica do planeta. No dia 15 de janeiro, a erupção do vulcão Hunga-Tonga-Hunga-Ha`apai desencadeou tsunami com ondas até 15 metros, que devastaram a nação.

(Com informações da Prefeitura de Santiago e da Agência Brasil)

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