CUCA VICEDO – Publicitária e comentarista de cinema
Quando o grande Steven Spielberg anunciou a refilmagem de West Side Story, a expectativa do que veríamos era a maior possível. Afinal, ele tem o toque de Midas, e uma produção com este nome tem o porte de grande sucesso e filme inesquecível na história do cinema.
Particularmente, a decepção já começou no início da nova versão, que, entre muitas coisas, tem um tempo mais compacto que a primeira. Spielberg é muito fiel aos seus parceiros de trabalho e a fotografia segue o tom de seus últimos filmes, como Resgate do Soldado Ryan, The Post, Minory Report, Guerra do Mundo, Munique e outros, cores mais reais , dominando o azul e a luz direta, clamando mais para a realidade do que uma versão de vida colorida.
O tema central do filme é a briga de gangues rivais e o conflito racial. Então, a cor a ser abordada é, sim, muito importante aqui. O elenco é fraco e uma das coisas reais é que atualmente os intérpretes têm uma arrogância natural no seu jeito de ser.
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Não existe mais ingenuidade, pureza, inocência e, talvez por isso, a personagem que vem arrematando olhares nas premiações que estão acontecendo é a da única personagem que tinha isso vívido na primeira versão, a porto riquinha original muito bem encarnada por Rita Moreno, o talento natural do filme. Que também faz uma ponta na nova versão. A jovem atriz que interpreta ANITA no filme do mestre Spielberg, é Ariana DeBose
Mas nem tudo é tão escuro assim, o melhor do filme ficou intacto, suas canções. Nem todas estão no filme, afinal é uma versão compacta e, dentro da fidelidade aos seus companheiros de trabalho, a responsabilidade de Spielberg com John Williams, grande compositor que fez todos seus filmes e o mais premiado da História do Cinema.
Refilmar um clássico é perigoso, ainda mais quando o clássico é inesquecível; a versão original do filme começa com uma sequência que localiza a história, os fatos e os personagens, nos faz participar e nos cativa nos primeiros momentos do filme, impossível comparar isso. A primeira versão é infinitamente melhor e superior.

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Os números musicais são fascinantes, únicos, marcaram época e são imitados até hoje.
A cor viva usada pelos diretores da primeira versão condiz com a realidade da época em que a história se passa. Eram anos 60, revoluções culturais, jovens, mulheres, e no caso deste filme, raças estavam gritando por mudança… e muito vermelho sangue foi derramado por isso.
O elenco não tinha muitos porto-riquenhos originais, hoje tem também negros, judeus, polacos e norte-americanos. O politicamente correto está atuando, mas o show de talento não. Os personagens centrais da história estão apáticos, como os jovens de hoje e não daquela geração que eles representam.
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Quem sou eu pra contestar Steven Spielberg. Ninguém com certeza. O cara tá podre de rico fazendo filmes. Mas como alguém que cresceu vendo o produto destas mentes brilhantes, eu posso dizer: não gostei da nova versão de WEST SIDE STORY.
A única sensação que ficou quando terminei de ver o filme foi a de que a primeira versão era bem melhor, quero ver a original de novo. E foi o que fiz. A produção de 1961 ainda me parece ter sido estudada em cada detalhe, tinha preocupação com cada detalhe, era linda e repito, inesquecível.
A atual…bom, se o cara tem dinheiro e respeito, faz o que quiser e quando ele quer pra passar o tempo, ele faz. Ainda espero um novo e original filme do grande Steven Spielberg. Esse não foi.

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