A Assembleia Legislativa gaúcha aprovou, na terça-feira (17), por 32 votos contra 12 a proposta de ajuste do Teto de Gastos. A aprovação abre caminho para que o Rio Grande do Sul consiga avançar na negociação do Regime de Recuperação Fiscal (RFF) junto ao governo federal. Dos três deputados estaduais de Santa Maria, dois são favoráveis e um contrário ao projeto do governo do Estado que alterou a lei do teto de gastos.
Presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Valdeci Oliveira (PT) não votou, situação que só ocorre em caso de empate. No entanto, a assessoria do petista informa que Valdeci “sempre votou contrário” ao RFF e segue a orientação da bancada do PT, que votou contra a alteração da lei.
Valdeci não se manifestou nas redes sociais sobre o tema aprovado na terça-feira por ser chefe do Poder Executivo Estadual, mas sua assessoria reitera que a posição dele “é a mesma da bancada do PT”.
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Manifestações nas redes sociais

Já os deputados Giuseppe Riesgo (Novo) e Beto Fantinel (MDB) votaram favoravelmente e se manifestaram nas redes sociais comemorando a aprovação do projeto no Parlamento Estadual.
“Por 32 votos favoráveis contra 13 votos contrários, a ALERGS aprovou o a proposta de ajuste do Teto de Gastos. Mais um passo importantíssimo para colocarmos as contas do Estado em dia”, postou Riesgo.
Riesgo e seu colega da bancada, Fábio Ostermann, afirmam que o Estado “não ficará preso nas amarras do regime”. A adesão ao RFF, segundo os deputados do Novo, vai permitir o reequilíbrio das contas públicas em um momento em que a dívida do RS com o governo federal se aproxima de R$ 74 bilhões.
“Vitória da política justa, séria e coerente com o uso do dinheiro público”, postou Fantinel nas redes sociais juntamente com um vídeo em que ele fala mais sobre o assunto, reforçando que a proposta de recuperação das contas do governo gaúcho teve origem no governo de José Ivo Sartori (MDB), na gestão passada.
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Governador comemora aprovação
O texto aprovado altera a lei do Teto de Gastos Estadual para que o RS possa atender a uma recomendação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que analisou a legislação necessária para que o Estado possa, enfim, ingressar no Regime de Recuperação Fiscal.
“O RS deu mais um importante passo em direção ao equilíbrio fiscal. Aprovamos o projeto que altera o teto de gastos para o Estado, condição essencial para aderirmos ao RRF. Esse comprometimento com as finanças públicas do Rio Grande é a postura que os gaúchos esperam de nós”, destacou o governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB), que agradeceu aos deputados que votaram favoravelmente.
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Ultima etapa para aderir ao RRF
O governo do Estado propôs alinhar o rol de despesas que não estão incluídas na base de cálculo e na regra de limitação das despesas primárias às alterações trazidas pela LC nº 189/22, promulgada após o pedido de adesão ao RRF feito junto à União em dezembro de 2021.
“A aprovação do projeto de lei, última etapa para adesão ao RRF, foi um importante passo e uma demonstração, devido aos 32 votos favoráveis, de que esse é o caminho para o que Estado siga rumo ao desenvolvimento”, disse o secretário-chefe da Casa Civil do Estado, Artur Lemos.
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Sustentabilidade fiscal e pagamento da dívida
Para retomar a sustentabilidade fiscal, o Estado segue avançando na implementação de reformas estruturais profundas. A adesão ao RRF, segundo o Palácio Piratini, é imprescindível na estratégia de reequilíbrio público financeiro, na medida em que proporcionará o fôlego necessário para atravessar as severas restrições de fluxo de caixa, que inviabilizam a retomada do pagamento da dívida com a União no curto prazo.
“É um resultado positivo para o Estado. Esse tema é um assunto recorrente, que vem sendo debatido há anos, e nunca tivemos uma possibilidade real de argumentos praticáveis, a não ser o RRF. Conseguimos, por convicção, votar para demonstrarmos que o Estado realmente quer ter fôlego e capacidade para cumprir seus compromissos e, além disso, continuar praticando o essencial, com saúde, educação, obras, segurança pública e cuidado, inclusive, como funcionalismo público”, explicou o líder do governo na Assembleia, deputado estadual Frederico Antunes.
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PT diz que proposta afeta investimentos e programas sociais
Contrários ao projeto aprovado, os deputados petistas afirmam exatamente o contrário. Conforme o líder da bancada, deputado Pepe Vargas (PT), o único objetivo do teto é permitir que os recursos arrecadados por impostos “sejam drenados ao sistema financeiro e transferidos para os especuladores”.
“O dinheiro deixa de ir para a saúde, para a educação, para uma construção de estrada, para a assistência social e para a previdência social, mas continua sendo drenado para o sistema da dívida pública. O estado é mínimo para o povo, mas máximo na transferência de recursos para meia dúzia que está enriquecendo enquanto o povo está empobrecendo”, afirma o líder da bancada petista.

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Congelamento dos investimentos por 10 anos
Na mesma linha, o deputado Edegar Pretto, pré-candidato do PT ao governo gaúcho, ressaltou que, em 1998, durante o governo Antônio Britto (PMDB), “venderam uma ilusão de que o problema da dívida estava resolvido”. Segundo ele, o governo Eduardo Leite (PSDB), agora com Ranolfo Vieira Jr, faz o mesmo.
“Agora vem essa proposta de congelar os investimentos pelos próximos 10 anos. Pra que ninguém esqueça: 83% das escolas do RS não tem pátio decente pra recreação; 14% não tem ou não está funcionando os banheiros. Vivemos a pior estiagem dos últimos anos. E o que faz o governo Leite que renunciou? Prefere congelar investimentos”, afirma.
(Com informações do governo do RS e da Assembleia Legislativa)

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