JOÃO MARCOS ADEDE Y CASTRO – Promotor de Justiça aposentado, advogado e escritor
Sei que vou comprar bronca com os amantes da gastronomia sofisticada, mas os “antigos” contavam que havia um rei muito exigente no que se referia à alimentação.
Cada cozinheiro que preparasse uma comida que não agradasse ao paladar exigente do rei, era decapitado, até que ninguém mais desejava desempenhar tão honrosa, mas perigosa função.
Depois de dias sem cozinheiro, o rei anunciou que aquele que se dispusesse a cozinhar teria total liberdade e autoridade, o que comunicou aos seus ministros e guardas.
Daí apareceu um velho cozinheiro que, depois de confirmar perante toda a corte que tinha total autoridade, mandou recolher o rei ao calabouço.
Depois de natural espanto, os guardas cumpriram a ordem e prenderam o rei, que disse que se fosse para receber a melhor comida do mundo, mantinha a ordem e se recolheu à prisão.
O cozinheiro proibiu que o rei recebesse qualquer alimento por cinco dias. Nesse período, mandou matar um porco e colocou a cabeça do animal ao sol.
A “iguaria” foi visitada por moscas, vermes e muitos urubus. Mandou liberar o rei, que a essa altura tinha perdido dez de seus muitos quilos e serviu-lhe a cabeça de porco.
O rei fez cara de nojo, mas atracou-se à cabeça de porco e a despojou dos poucos e malcheirosos restos de carne. Enquanto se banqueteava, sorria feliz.
Chamou seus ministros e guardas, declarando que nunca comera tão bem, nomeando o cozinheiro como “chef da cozinha real”.
Moral da história nojenta: a melhor comida é aquela que nos mata a fome! O resto é coisa de quem nunca passou fome de verdade.

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