Paralelo 29

A lenda de Imembuy

Mural pintado por Eduardo Trevisan na UFSM

ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – Escritor

Em poucas palavras “A lenda de Imembuy” nos conta da paixão de uma índia e um homem branco. No caso, Imembuy e Morotin.

Imembuy nasceu quando sua mãe se banhava nas águas do arroio Itaimbé. Imembuy é “filha das águas” e o prisioneiro Rodrigo, que recebeu o nome indígena de Morotin [branco ou tudo que é branco em guarani], formam o casal que teve muitos filhos e viveram felizes para sempre. E são os originários da Santa Maria – Coração do Rio Grande.    

O tema é abordado na literatura, dois exemplos: Iracema de José de Alencar e Pocahontas. Pocahontas se apaixonou por John Smith e foi bem retratado nas telas dos cinemas com sucesso de bilheteria. Na vida real ela morreu com 22 nos. E não foi feliz para sempre.

Se estamos comentando sobre Imembuy e Morotin, teremos que, necessariamente, falar sobre Cezimbra Jacques para resgatar a conjuntura histórica.  

João Cezimbra Jacques nasceu em 13 de novembro de 1848 e faleceu em 27 de julho de 1922. Portanto este ano temos o centenário da morte de Cezimbra Jacques. Ele foi militar, fundador da Academia Rio-Grandense de Letras e é patrono do Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG.

Considerado como o primeiro escritor santa-mariense a publicar um livro. E o conto indígena “Imembuy” está em seu livro “Assuntos do Rio Grande do Sul” publicado em 1912. Bueno, lá no título está lenda de Imembuy e agora está conto de Imembuy.

Vamos aos fatos.

Posteriormente em seu livro “História do município de Santa Maria – 1797/1933” No capítulo I “Santa Maria Lendária” João Belém foi omisso e não deu os devidos créditos do texto.

João Belém comete uma pedalada literária e trata como lenda o conto de Imembuy. Por favor, sem abertura de impeachment contra o JB, no caso, João Belém.

Cabe salientar que o pesquisador e historiador Chico Sosa foi quem identificou que a lenda não era lenda e, sim, um conto. 

Então, vamos cantando em prosa e verso o amor de Imembuy e Morotin, mas nunca devemos esquecer de que se trata de um conto escrito por João Cezimbra Jacques.

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