ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – ESCRITOR
O Centro de Estudos e Debates do Socialismo e da Cultura (CEDESC) teve seu auge em meados dos anos 80 do século passado. Estava localizado na rua Professora Braga – à esquerda de quem desce – num galpão ao fundo, com acesso por um corredor. Aindam existe o prédio e o corredor.
Como o próprio nome diz, um local onde eram promovidos grandes debates, palestras e mostras de arte. Havia uma grande efervescência cultural.
Eu frequentava como mero assistente: testemunha ocular da história. Lembro que foi no CEDESC que fundamos a Delegacia Regional do Sindicato dos Engenheiros – SENGE – que teve uma efêmera, mas marcante existência. Éramos poucos e barulhentos.
Então…
A noite chuvosa. Possivelmente sexta-feira. Aqui a memória é falha e, realmente, não tenho certeza. Eu convidei a minha parceira para assistir uma palestra no CEDESC. O tema seria Marxismo.
O título também me escapa, mas naqueles tempos os títulos das palestras eram “Marx e alguma coisa” ou “Alguma coisa e Marx”. Para os mais atentos: não era “Marx e Freud”. Essa palestra foi icônica.

Quem convidaria a namorada para assistir uma palestra sobre “Marx e alguma coisa” numa sexta-feira à noite debaixo de chuva? Hoje me parece bem estranho. Eu não convidaria. [rsrs].
Pela conjuntura da época, nada era absurdo. Vivíamos os estertores da ditadura. E era a maneira de mostrar erudição e conhecimento. E sonhar com a revolução.
Éramos poucos. A chuva afastou boa parcela dos bolcheviques e simpatizantes. Mas assistimos, atentos, Adelmo Genro Filho – o Adelminho – falar sobre “Alguma coisa e Marx” ou “Marx e alguma coisa”.

Depois nós fomos com o meu fusquinha – ainda lembro da placa: DN-2936 – jantar no Galo de Ouro, que ficava ali na Avenida Medianeira, quase esquina com a Duque de Caxias.
Evidentemente, o galeto sendo sólido, se desmancha no prato. Uma pena que não havia celulares e selfies para provar o que escrevi acima.
Nem foto da placa do fusquinha eu tenho. Eu não tenho ideia de como funcionaria um Centro de Estudos e Debates do Socialismo e da Cultura na Santa Maria de hoje. Mas faz falta uma agremiação nos moldes do CEDESC para reavivar o nosso horizonte utópico meio perdido.

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