Paralelo 29

CÁ ENTRE NÓS: Educação ambiental e o egoísmo

Foto: Divulgação, iStock

ALESSANDRA CAVALHEIRO – JORNALISTA

Neste 3 de julho é comemorado o Dia Nacional da Conscientização Ambiental. Há no calendário muitas datas relacionadas ao tema. O mês de junho foi dedicado ao meio ambiente, especialmente dia 5, em nível mundial.

A data de hoje é nacional e relacionada a leis de políticas públicas. Mas por que são necessárias tantas datas, tantos apelos relacionados ao tema? Não parece óbvio a todos que a natureza deva ser preservada? Não.

Todo o trabalho de divulgação das datas tem o objetivo de ajudar a tornar as pessoas mais sensíveis às questões da vida. Ajudar pessoas a saírem de seu autocentramento, da ideia de que essa conversa é uma ilusão, uma perda de tempo, que as coisas não são bem assim, e ajudar a cair a ficha de que, sim, nossas fontes de vida são finitas.

E estão se degradando a uma velocidade assustadora. E que todos, independentemente de sua classe social, sofrerão graves consequências.

Negar a ciência é um dos caminhos que ajudam a cultivar o egoísmo. A ideia de que eu e os meus (aqueles dos quais eu gosto) estaremos bem se tivermos dinheiro (mesmo pisando nas costas dos nossos irmãos para subir) e os outros que busquem suas saídas, de acordo com seus méritos, é uma das mais equivocadas da vida contemporânea.

É egoísta ao extremo, danosa a mim e aos meus, por uma simples razão: eu e os meus dependemos de você e dos seus para que se mantenham as condições da vida.

Sim, água limpa, ar puro, energia, abrigo, oportunidade de obter conhecimento, saúde. Quantas pessoas tratam a água que bebemos? Quantos são necessários para prover a energia que alavanca nossa rotina?

Para construir sua casa precisam de quantas pessoas? Enfim, eu percebo essa cadeia? Se nós precisamos todos uns dos outros, que espaço sobra para o egoísmo? Ter educação ambiental é ter a sensibilidade de perceber que sim, trata-se do ‘nós’ a todo o momento.

Então hoje é dia de pensar com um pouco de dedicação sobre a cadeia do ‘nós’ e da vida, não apenas de agora. Como ficarão nossos pequenos no futuro?

Vamos sair da vida deixando rastros de destruição e era isso? É hora de pensar em nós, de aguçar a sensibilidade para cada gesto que impacta o outro. A cadeia começa a se depredar pelos vegetais, depois pelos animais, com tantas espécies sendo extintas a todo o momento.

Assim, educação ambiental é sobre a minha responsabilidade com a existência, de manter por mais tempo possível este planeta tão belo e cheio de riquezas, não pelo planeta, que se revira nos mares, na terra e no ar, e se regenera.

Mas pela espécie humana, que está se autodestruindo. Sim, é sobre a forte tendência do ser humano seguir no caminho da própria extinção.

Afinal, somos a natureza, apesar de todo o nosso egoísmo, ignorância e autocentramento. E precisamos urgentemente nos regenerar.

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