PROFESSORA LUCI DUARTES – TIA DA MOTO
Professora e ex-vereadora pelo PDT
Na arena política, muitas vezes, o que se vê é um verdadeiro teatro. A recente aprovação do projeto da mesa diretora do parlamento municipal de Santa Maria, que destina R$ 3 mil de verba parlamentar e 200 litros de gasolina, é um exemplo claro dessa encenação.
O que mais impressiona não é a aprovação em si, mas a postura de certos parlamentares. Primeiro, fazem uma “pesquisa interna”, sondando quem votará contra ou a favor. Quando percebem que a aprovação é inevitável, mudam de estratégia:
“Vou votar contra para não ficar mal com a população” Ou simplesmente se ausentam da sessão com justificativas calculadas. Depois, dizem: “Votei contra” ou “Eu não estava presente”, como se isso os tornasse heróis de um enredo de ficção.
Mas a verdade é dura: mesmo os que se dizem contra acabam usufruindo dos mesmos recursos que criticam.
É fácil se esconder atrás de uma votação contrária ou de uma ausência estratégica. E o eleitor, muitas vezes, é levado a acreditar que aquele parlamentar é defensor da moralidade, quando na realidade está apenas atuando — e muito bem — nesse teatro de aparências.
Essa dualidade é um jogo perigoso. Um jogo que mina a confiança da população e alimenta a desilusão com a política.
Se esses representantes realmente quisessem ser transparentes, teriam a coragem de votar com clareza, assumir suas escolhas e explicar como pretendem usar os recursos — ou até abrir mão deles. Porque política não é faz de conta. Política é compromisso sério com quem te elegeu.
O que esperamos é simples: honestidade, clareza e coragem. Que deixem de lado as máscaras. Que façam da política um espaço de verdade. Onde as decisões sejam tomadas com responsabilidade e a favor do bem comum.
Pronto, falei. Que esse teatro político encontre um novo roteiro: mais autêntico, mais decente e, acima de tudo, mais comprometido com o povo.

