Paralelo 29

Comunidade escolar de Boca do Monte vai protestar contra transferência de alunos por conta da presença de indígenas na Fepagro

JOSÉ MAURO BATISTA – PARALELO 29

Moradores do Distrito de Boca do Monte, em Santa Maria, estão organizando uma manifestação para as 17h desta terça-feira (5) contra a transferêcia temporária de alunos da escola da comunidade por conta da ocupação indígena em área da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro).

A informação sobre o protesto da comunidade nesta terça-feira foi repassada pelo site 24 Horas, conforme apurou o jornalista Raul Pujol.

Nessa segunda-feira (4), a Prefeitura de Santa Maria anunciou ue a Secretaria Municipal de Educação transferiu as crianças da Escola de Educação Infantil (EMEI) Boca do Monte para a Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Almiro Beltrame, no mesmo distrito.

Segundo a Secretaria de Educação, “a medida será seguida enquanto a ocupação indígena na área Fepagro não é definida pela Justiça”. Ainda segundo a pasta, a transferência temporária ocorre “em prol da segurança e bem-estar dos estudantes e dos servidores” da EMEI Boca do Monte.

A direção da EMEI Boca do Monte agendou uma reunião com pais e responsáveis para esta quarta-feira (6), às 14h, na sede da Almiro Beltrame, que fica na Estrada Estância Velha. O objetivo da reunião é tratar da situação.

O cronograma definido entre a Secretaria de Educação e 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) prevê o retorno dos estudantes da etapa pré-escolar a partir desta quinta-feira (7). Já as crianças da etapa creche retomam às atividades a partir da próxima segunda-feira (11).

Impasse desde 15 de julho

Um grupo de 30 indígenas da etnia caigangue chegou ao local vindo de várias cidades do Rio Grande do Sul no dia 15 de julho. Eles montaram barracas e permanecem acampados na área, apesar de uma notificação extrajudicial para saírem.

De acordo com o advogado Gabriel de Oliveira Soares, que representa os indígenas nas negociações, a área ocupada é pequena – um galpão e um salão de festas -dentro de uma área maior.

O advogado diz que o grupo reivindica permanecer em uma área de mata nativa e afirma que a presença dos indígenas será benéfica para a Fepagro. Gabriel confirmou que o Estado do Rio Grande do Sul ajuizou uma ação na 3ª Vara da Justiça Federal de Santa Maria. Contudo, ele diz desconhecer uma decisão além da notificação extrajudicial.

Ainda em julho, um grupo de entidades, movimentos sociais e partidos de esquerda divulgaram uma espécie de manifesto defendendo o que chamam de “retomada” da ára pelos caigangues. A etnia reinvidica uma área que seria de seus antepassados.

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