No banco dos réus está o oficial de cartório Paulo Odilon Xisto Filho, também de Santa Maria
Depois de sete anos e quatro meses, a Justiça de Santa Catarina começa a julgar, na manhã desta quarta-feira (3) o oficial de cartório Paulo Odilon Xisto Filho, acusado de matar a modelo Isadora Viana Costa, de 22 anos. Vítima e autor são de Santa Maria.
O júri começou nesta quarta-feira (3), na Comarca de Imbituba, no litoral Sul catarinense, mesma cidade em que Isadora foi morta, em 8 de maio de 2018. Segundo reportagem do G1SC, o júri poderá se estender até sexta-feira (5).
O júri seria transmitido ao vivo pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, mas a transmissão acabou cancelada. A defesa do réu alega que não pediu o cancelamento (leia nota abaixo). Familiares de Isadora acompanham a sessão em Santa Catarina. Em postagens nas redes sociais, a família pede justiça.
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Denúncia afirma que modelo foi morta com chutes e socos
Na denúncia, o Ministério Público narra que Paulo Odilon Xisto e Isadora Viana Costa eram namorados e que o oficial matou a jovem com golpes abdominais após ela ter revelado à irmã do réu que ele fazia uso excessivo de drogas e bebidas alcoólicas.
Xisto Filho chegou a ser preso duas vezes, em 2018 e 2019, mas foi solto para responder o processo em liberdade.
Ele é acusado por homicídio triplamente qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio.
Além disso, também responde por fraude processual e por posse ilegal de acessório de uso restrito para arma de fogo.
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O que diz a advogada da família da vítima
A advogada Daniela Feliz, em nota publicada pelo G1SC, afirma que a morte da jovem despedaçou seus parentes. Ela também destaca que decorreram mais de 7 anos para o júri popular ocorrer. Já a defesa do oficial, por meio dos advogados Aury Lopes Júnior e Ércio Quaresma, nega o crime e afirma que a jovem sofreu uma overdose.
Relembre o caso
Conforme o MP de Santa Catarina, o acusado conheceu a vítima em Santa Maria, em março de 2018, quando começaram a namorar. Em 22 de abril de 2018, a jovem aceitou convite para passar uns dias no apartamento do namorado, em Imbituba.
A modelo foi e, dias após chegar em Santa Catarina, o oficial teria passado mal. De acordo com o MPSC, na noite de 7 de maio de 2018, o oficial espumava pela boca.
Isadora, então, teria chamado a irmã do namorado para socorrê-lo. Ao entrarem no apartamento, o escrivão estava trancado no quarto, aparentemente bem.
Após a saída dos familiares, no entanto, Xisto Filho, ainda segundo o MPSC, teria tido uma explosão de fúria e atacado Isadora, que teria sido imobilizada e sofrido diversos golpes (chutes e socos) no abdômen.
Ainda de acordo com a denúncia do MPSC, o réu solicitou atendimento ao Corpo de Bombeiros, mas não acompanhou a vítima até o hospital, permanecendo no local e dificultando a investigação, segundo a promotoria.
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O que diz o MPSC
“O exame do médico legista apontou lesões traumáticas graves, descritas no laudo, compatíveis com múltiplos chutes, socos e joelhadas e absolutamente incompatíveis com a tese da defesa. O laudo aponta que não há como falar em overdose como causa da morte, motivação alegada pelo réu”, diz o MP.
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O que diz a defesa da família da jovem
Isadora Viana Costa foi morta em 08.05.2018, na Casa do então namorado. A causa? Segundo o próprio legista, reiterado uso da força.
Uma morte violenta, num espaço privado, onde só os 2 estavam. Caso clássico de Feminicídio, que a voz da vítima não pode mais ser ouvida.
No outro lado, um homem branco e rico, que não poupou recursos na sua defesa. São mais de 7 anos de espera para o júri popular.
Uma família foi despedaçada. A Isadora é mais uma vítima do patriarcado, do machismo e da misoginia, que só em Santa Catarina, de janeiro a julho de 2025 já vitimou 26 mulheres, pelos dados da SSPSC.
A luta é pela Isadora, mas também é contra a violência doméstica e de gênero de todas as mulheres, que muitas vezes também são vítimas do judiciário.
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O que diz a defesa do acusado
A defesa de Paulo Xisto, patrocinada pelos escritórios Aury Lopes Jr. e Ércio Quaresma, vem esclarecer que não foi contra a transmissão da sessão do juri que ocorrerá no dia 03 de setembro, pelo contrário.
A defesa fez um pedido expresso e fundamentado à juíza da vara de Imbituba, requerendo fossem os trabalhos do plenário do juri transmitidos ao vivo pelo canal oficial do TJSC, como já aconteceu e tem acontecido em outros casos.
A defesa acredita que a transmissão à população colocará fim a uma narrativa e mostrará sem sombra de dúvidas que Isadora não foi assassinada, mas infelizmente sofreu uma overdose.
(Com informações dos portais G1SC, A Hora e Tuba News)

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