Acompanhando as notícias sobre a Flotilha humanitária Global Sumud, uma emoção me tomou conta
ALESSANDRA CAVALHEIRO – JORNALISTA
Gosto de me referir à ativista Greta Thunberg como minha professora da disciplina mais avançada de humanidade. Para que estamos nesta vida, afinal, se não for para sermos humanos em evolução? Criaturas melhores?
Greta olha para o futuro e não entende por que não estamos em pânico. Estamos sonolentos diante de muitas barbáries que trazem saldo negativo para a vida humana.
Acompanhando as notícias sobre a Flotilha humanitária Global Sumud, uma emoção me tomou conta, um choro fácil, rápido. Greta vê a catástrofe humanitária de Gaza com uma indignação que a leva ao centro da questão: só que ela não quer ser o centro.
Quer sinalizar que estamos cometendo um suicídio coletivo e que ela não consegue ver um futuro. “Temos um genocídio em curso, que está escalando.”
Milhões de vezes o assunto é colocado na TV, nas redes, e não surte efeito. Pessoas são impedidas de receber remédio, comida, água. Doentes, famintos sedentos se arrastam.
Chorei vendo Greta e vou continuar chorando, porque são lágrimas de remédio. Ela me ensina a sentir mais e ser menos anestesiada. Uma das atividades mais perigosas da atualidade é o ativismo ambiental. Porque é, em palavras simples, uma luta pela sobrevivência.
Palestinos, israelenses, catarianos, libaneses, cisjordanianos, norte-americanos, egípcios, todos são pessoas e, entre elas, boa parte age violentamente contra a vida.
Sejamos simples ao pensar: pessoas sofrem e morrem. Talvez você prefira certos tipos de pessoas na sua vida, mas isso não significa que as demais devam morrer. Ou que eles, os que não gostamos, não curtimos numa boa, devem sofrer a fome, a miséria, as dores da perda.
E perceba o poder dos poucos líderes das grandes potências: um telefonema, uma fala, uma negociação, pode mudar o rumo de um povo inteiro.
São mais de 14 milhões de palestinos no mundo e milhares de mortos (não sabemos quantos) em Gaza. Greta gritou mil vezes, determinada. Nela também estava guardada a minha pequena voz.
Por que precisamos quebrar tanto a raça humana? Profe Greta, sua fala me transforma, põe minhas emoções na realidade e suas lições não são fáceis de aprender. Talvez, quando e

