Paralelo 29

Pai, mãe e avó de bebê que morreu no Husm são indiciados por maus-tratos seguido de morte

Foto: Divulgação

Polícia Civil de Santa Maria concluiu inquérito que investigou morte de criança com um mês de vida

Pai, mãe e avó paterna de um bebê com um mês que morreu no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) em 27 de novembro foram indiciados pela Polícia Civil por maus-tratos seguido de morte. A conclusão é da delegada Luiza Souza, titular da Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), nessa sexta-feira.

De acordo com as investigações, em 27 de novembro, os pais da criança procuraram atendimento médico para o bebê devido a um quadro de febre apresentado pelo filho.

Lesões por todo o corpo

Ao examinarem o bebê, os profissionais de saúde ficaram estarrecidos com o estado em que a criança se encontrava, com dezenas de hematomas e escoriações por todo o corpo, principalmente no rosto, com os dois olhos roxos e um braço quebrado.

Diante da gravidade do quadro, a criança foi imediatamente transferida para o Husm, onde profissionais de saúde constataram outras fraturas antigas, como nas costelas, além de traumatismo craniano. O bebê morreu no mesmo dia em consequência das lesões.

Prisão preventiva dos pais

No Pronto-Atendimento Municipal, a Brigada Militar foi acionada e conduziu os pais à Delegacia de Polícia, onde os dois foram presos em flagrante por maus-tratos.

O jovem casal, de 19 e 20 anos, optou por permanecer em silêncio. A Polícia Civil representou pela prisão preventiva dos dois, a qual foi deferida pelo Poder Judiciário. A mãe encontra-se recolhida no presídio local, enquanto o pai foi transferido para um hospital psiquiátrico em Porto Alegre.

Negligência e violência doméstica

O casal residia em uma pequena casa, junto da avó paterna, que afirmou jamais ter presenciado qualquer agressão ou visto a neta machucada. Já a avó materna declarou ter visto a criança apenas duas vezes após o nascimento, pois o casal a impedia de conviver com a família.

Posteriormente, a mãe foi ouvida no presídio e relatou ser vítima de violência doméstica, física e psicológica, afirmando que o companheiro monopolizava os cuidados com a bebê e não permitia que ela tivesse contato frequente com a filha.

Disse ainda que nunca machucou a criança e que desconhecia quaisquer agressões praticadas pelo companheiro. Questionada sobre as diversas lesões, afirmou que o pai não lhe dava explicações e não tolerava ser questionado.

Hemorragia craniana

O laudo de necropsia ainda não foi concluído, mas, de forma informal, o médico legista adiantou que, além de todas as lesões externas, o bebê apresentava hemorragia craniana.

Os pais foram indiciados por maus-tratos seguidos de morte, crime que pode resultar em pena de até 16 anos de prisão.

Da mesma forma, entendeu-se que a avó paterna, por sua negligência, considerando que residia com o casal em uma pequena casa de madeira e seria impossível não perceber o estado da criança, também fosse indiciada pelo mesmo crime.

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