A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) decretou luto oficial por três pela morte do ex-reitor da instituição, Derblay Galvão. Ele venceu a Covid-19 em 2020, e morreu de complicações pulmonares na sexta-feira (16).
Engenheiro agrônomo, Derblay tinha 93 anos e morava em Brasília, onde foi cremado neste sábado (27).
A família depositará suas cinzas na Igreja São João Dom Bosco, na capital federal, juntamente com as da esposa, Margarida Odette, e de um dos filhos.
Na UFSM, o luto oficial de três dias se encerrará no domingo (18). Em nota, a instituição lamentou a morte do ex-reitor e manifestou seus sentimentos de pesar aos familiares, amigos e à comunidade universitária.
9ª em ranking de inovação, UFSM investe em obras
Terceiro e penúltimo reitor nomeado na instituição
Derblay assumiu no período em que o Brasil estava sob o regime militar e foi o terceiro reitor da instituição e o penúltimo nomeado.
Galvão sucedeu Hélio Bernardes, que havia sucedido o primeiro reitor da UFSM, o professor José Mariano da Rocha Filho, idealizador e fundador da instituição, até então a primeira universidade federal fora das capitais.
Depois de Derblay viria Armando Vallandro, o último reitor da UFSM da era das nomeações.
O próximo reitor nessa linha sucessória foi Gilberto Aquino Benetti, o primeiro escolhido pela comunidade universitária no modelo de consulta em vigor até hoje.
Físicos da UFSM vão estudar mistérios do Universo
QUEM FOI DERBLAY GALVÃO
Conforme biografia divulgada pela UFS, Derblay Galvão era filho de Gennaro e Ayda Collares Galvão.
Nasceu em Montenegro em 16 de marcou 1928. Formou-se em Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e começou sua ligação com a UFSM em 1962.
Naquele ano, Derblay Galvão foi convidado para ser professor na Faculdade de Agronomia, curso do qual seria coordenador.
Na época ainda trabalhava como engenheiro agrônomo no Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga).
Nanossatélite da UFSM e Inpe já está em órbita
Professor ocupou outros cargos importantes
Foi nomeado e empossado em 1º de março de 1962, no cargo de instrutor de Ensino Superior, e reconduzido em 1963.
Em janeiro de 1966 foi presidente do Irga à disposição da Universidade por um ano e também respondeu pela Chefia do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Agronomia.
Em 19 de maio de 1966 tomou posse no cargo de diretor dessa Faculdade. Em 3 de junho de 1969 foi designado diretor da Operação Oswaldo Aranha.
UFSM ajudará a mapear tecnologia espacial brasileira
Reestruturação da UFSM
Já em 17 de dezembro de 1969, Derblay foi designado para propor medidas administrativas e didáticas ao plano de reestruturação da UFSM, que havia sido aprovado pelo Conselho Federal de Educação.
A partir de março de 1970 passou a responder pelo Centro de Ciências Rurais (CCR) e, no mesmo ano, foi designado para diretor nacional do projeto Oswaldo Aranha, de Educação e Pesquisa Agrícola.
UFSM é destaque em ranking ambiental
Incentivador de feiras agropecuárias
A biografia mostra o prestígio que o ex-reitor tinha na época em que atuava na UFSM tanto em março de 1972 ele foi nomeado para presidir as comemorações do Sesquicentenário da Independência Política do Brasil.
Derblay também teve papel importante para um dos eventos do agronegócio regional, pois em 1974 ele passou a integrar a organização das exposições feiras agropecuárias em Santa Maria.
UFSM publica novo estudo sobre a evolução dos dinossauros
Reitor assumiu na ditadura
O período em que Derblay Galvão administrou a UFSM (11-12-1977 a 10-12-1981) coincidiu com a segunda metade do governo de Ernesto Geisel.
Essa época, segundo a biografia oficial de Derblay, “abriga atos de considerável arbitrariedade”, como o Pacote de Abril e a Lei de Segurança Nacional, ainda hoje em uso.
Por outro lado, também evidencia o início do enfraquecimento do poder militar, como mudanças significativas, entre elas a revogação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), o mais duro da ditadura militar.
UFSM reconstrói cérebro de vovô de dinossauros gigantes
Queixas contra cortes de verbas
Em suas falas, o então reitor, que tinha relações com o regime militar, queixava-se das dificuldades orçamentárias em sua gestão, com “uma luta constante para obtenção de recursos”.
De outro lado, Derblay também destacava avanços como a conclusão do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), entre outras conquistas.
Um antigo servidor da UFSM, que trabalhou na época do então reitor, resume a relação de Derblay com o poder da época: “Ele era do sistema, mas era um sujeito bonachão”.
Santa-mariense fala do primeiro satélite brasileiro
Mudança para Basília

Desde 1982, Derblay morava em Brasília, época em que assumiu cargos no Ministério da Educação, ente eles o de diretor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Casado com Margarida Odete Galvão (já falecida), aposentado e pai de sete filhos, atuava como representante e “embaixador” da UFSM em Brasília.
Em 2010 recebeu a Medalha Coração do Rio Grande concedida para os cidadãos que contribuíram para o progresso de Santa Maria.
Morre um dos pioneiros da Rádio Universidade
Aos 92 anos, ele venceu o coronavírus
Em julho do ano passado, já com 92 anos, Derblay se infectou com o novo coronavírus e foi internado no Hospital Santa Lúcia, em Brasília.
Conforme reportagem do Correio Braziliense à época de sua alta, um dos filhos, Gerson Galvão, contou ao jornal que o pai precisou de oxigênio, mas não chegou a ser intubado.
Após 10 dias hospitalizado, Derblay surpreendeu a equipe médica, recebeu alta e seguiu a recuperação em casa.
O fato ganhou repercussão em Brasília pela idade de Derblay e por ele ter sido influente em cargos do MEC.

No Comment! Be the first one.