Todo aquele que começa a entrar nesse mundo de tentar entender a informação choca-se quase que de forma instantânea com um problema crucial de interpretação.
A informação é desprovida de significado. Na verdade, a informação é desprovida de tudo, até de conteúdo.
Então, naquele primeiro dia, quando eu estava com o xerox daquele livrinho, em minha casa, lá nos idos de Camobi City em 1985, tentando resolver a questão (a) daquilo que tinha sido falado na aula de Teoria da Comunicação alguns vislumbres do que era começaram a se abrir.
Mas apenas vislumbres. Não foi tão rápido. A questão é complexa. Mas muito se deve ao fato do termo “informação” em si.
E, é claro, à própria terminologia da Teoria da Informação, ou da Comunicação, ou qualquer das suas congêneres.
Conceito distorcido
A nossa cultura tem o termo “informação” associado ao conceito de “ter ciência de”. E isto não é verdade. “Ter ciência de” é associado ao conhecimento. Informação não é conhecimento.
Conhecimento eu passo a ter quando recebo alguma mensagem que é constituída de informação a qual eu processo e armazeno na minha memória para uso posterior se necessário. Isso é Conhecimento.
Quando começo a falar em memória também passo a falar em dados, então também posso relacionar Conhecimento à capacidade de Gerenciamento de Dados. Mas vejam que nada disso é informação em si.
Uma forma simples de exemplificar isso, e é o que farei no final, é que uma mesma informação pode nos prover diferentes conhecimentos.
KYDO – Crônica: O Universo é vivo – Cosmologia da Informação
Na teoria da informação, a sua unidade básica (não esqueçamos que é uma teoria matemática, e como tal tem que ter a sua unidade de contagem) é definida por uma disjunção lógica.
Grosso modo, se eu tenho duas opções e opto por uma, esta passa a ser verdadeira, a outra necessariamente é falsa. Não há ética nenhuma.
Não há significado entre optar entre um caminho ou outro.
Significado e informação

O significado emerge de outra coisa, e esta coisa é o padrão recorrente entre os diferentes caminhos.
Hoje, é muito claro, que a Teoria Matemática da Informação é uma excelente Teoria da Mensagem, mas não da Informação em si. Ela não consegue descrevê-la.
E a Teoria da Comunicação também é uma teoria de mensagens. Só que a Teoria da Informação consegue chegar a algo subjacente à própria mensagem, embora não consiga defini-lo.
Então, o que é Informação? A priori informação é aquilo que a gente usa para construir mensagens.
O que é uma mensagem?
Muito bem, e o que é uma mensagem? Uma mensagem é aquilo feito a partir da informação.
Isso é de uma inconsistência absurda, porque remete a um loop infinito. Em outras palavras, eu não posso recorrer a algo gerado por mim para definir a mim mesmo.
Seria como se eu perguntasse o que é um tijolo? E respondesse é aquilo que constrói muros.
E perguntasse a seguir o que é um muro? E a resposta fosse é aquilo feito a partir de tijolos.
Sendo assim, podemos compreender o Universo a partir da compreensão de mensagens, essas mensagens são, necessariamente, constituídas de informação, mas o que elas significam?
Paralelo 29 resgata Kydo, poeta e escritor, que andava sumido
Informação é insignificante, mensagem não
A informação em si, com certeza, é insignificante. Mas a mensagem em si não, o problema é que tenho que atribuir um significado a ela.
E a atribuição do significado sou eu quem faço, e faço isso através de um padrão que percebo dentre as diferentes mensagens que recebo.
A informação em si continua subjacente. Ela não aflora. É complicado admitir isso, mas existem coisas no Universo às quais não podemos atribuir significado algum.
Existem mensagens não significativas. A insignificância é nossa ou a insignificância é das mensagens?
Dois vídeos, duas interpretações
No nosso próximo encontro eu vou tratar das Fronteiras Informacionais, que também são as Fronteiras das Mensagens sem Nenhum Significado.
Mas quero terminar este artigo com dois vídeos onde demonstro que a mesma informação pode gerar (e gera) duas interpretações distintas.
Como primeiro vídeo, escolhi uma música ao vivo.
O processamento da imagem e da música são analógicos, passaram por “n” tratamentos matemáticos e finalmente foram exibidos na tela do seu computador como uma tentativa, limitada é claro, de imitar a nossa visão, da forma como percebemos as coisas.
No segundo vídeo, apenas o som, a informação original do primeiro vídeo, foi tratada matematicamente de outra forma, e outra imagem foi gerada de forma absolutamente digital.
LUDWIG LARRÉ – Crônica: Estátua viva
A mesma informação, significados distintos
A informação original é a mesma (em si a sequência musical). Os significados que você pode atribuir, porém, são absolutamente distintos. O que a gente pode deduzir disso?
Eu diria que os significados e as insignificâncias sempre são sempre próximos. E, embora a interpretação seja fluida, a informação é sólida.
Para interpretação ao vivo:
Para a interpretação digital:
(15) Learning to Fly – YouTube
A Fronteira da Informação
Em tempo, quero dizer a todos que a ideia de fragmentar uma linha de raciocínio em duas partes, com dois posts diferentes foi uma péssima ideia.
Não vou cometer esse erro novamente. A partir de agora, todos os tópicos serão abordados um a um em sua completude.
Nada vai passar a ter uma conclusão póstuma como aconteceu dessa vez. E também, em tempo, o segundo vídeo faz parte do meu canal no YouTube, Som Poesia e Movimento, onde eu faço brincadeiras sonoras e visíveis.
As Fronteiras da Informação é o próximo tema. E é um tema que me assusta. Espero contar com todos nesta próxima etapa.

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