DIOMAR KONRAD
Publicitário
Toca o telefone naquele antigo local badalado de festas.
– Bom dia. Pois não?
– Eu queria agendar uma festa.
– Clandestina?
DIOMAR KONRAD – Crônica: Decisões pandêmicas
– Amigo, nesta época toda festa é clandestina. Aliás, utilizar o termo festa clandestina me parece meio redundante, é uma repetição de termos desnecessários. Mas vamos ao que interessa. Tem interesse?
– Pode ser. Mas estamos com problemas com o alvará.
– Amigo, não quero ser chato. Mas se já estamos organizando algo ilegal, acha que estamos preocupados com o alvará?
– Não tinha pensado nisto. É claro… Deixa o alvará de lado. Para quantas pessoas seriam?
– Em torno de trezentas. Comida e bebida à vontade. O que me diz?
– Olha, aqui cabem umas setecentas pessoas. Mas com as normas de distanciamento, creio que este número está bom. Se bem que sempre pode chegar mais gente de última hora.
DIOMAR KONRAD – Crônica: O estagiário do Kydo
– Não entendi. Distanciamento?
– Sim, de acordo com o último decreto da prefeitura. Ocupação máxima. E ainda tenho que reduzir o pessoal que trabalha comigo. Talvez seja melhor um esquema de buffet de bebidas e comidas. Aí cada um se serve. E ainda tem que colocar gel em cada mesa. Sobre as máscaras: vocês já vêm com elas ou eu forneço junto com o pacote?
– Amigo, não estou entendendo. Eu falei em festa, clandestina, ilegal, organizada por pessoas que não estão nem aí para as normas. E você me vem com distanciamento, gel, máscaras. Acho que não estamos do mesmo lado do balcão. Vocês podem fazer ou não?
DIOMAR KONRAD – Crônica: O estado de aglomeração
– Claro. Mas depende da data. Ainda tenho que pedir permissão na prefeitura para organizar o evento. Numas dessas, com o dinheiro arrecadado, consigo resolver o problema do alvará. Alô? Alô? Ué, desligou… Será que perdeu o interesse… Uma festinha para trezentas pessoas… Ia ser uma boa nesta época.

No Comment! Be the first one.