Paralelo 29

DIOMAR KONRAD: A festa

DIOMAR KONRAD

Publicitário

Toca o telefone naquele antigo local badalado de festas.

– Bom dia. Pois não?

– Eu queria agendar uma festa.

– Clandestina?

DIOMAR KONRAD – Crônica: Decisões pandêmicas

– Amigo, nesta época toda festa é clandestina. Aliás, utilizar o termo festa clandestina me parece meio redundante, é uma repetição de termos desnecessários. Mas vamos ao que interessa. Tem interesse?

– Pode ser. Mas estamos com problemas com o alvará.

– Amigo, não quero ser chato. Mas se já estamos organizando algo ilegal, acha que estamos preocupados com o alvará?

– Não tinha pensado nisto. É claro… Deixa o alvará de lado. Para quantas pessoas seriam?

– Em torno de trezentas. Comida e bebida à vontade. O que me diz?

– Olha, aqui cabem umas setecentas pessoas. Mas com as normas de distanciamento, creio que este número está bom. Se bem que sempre pode chegar mais gente de última hora.

DIOMAR KONRAD – Crônica: O estagiário do Kydo

– Não entendi. Distanciamento?

– Sim, de acordo com o último decreto da prefeitura. Ocupação máxima. E ainda tenho que reduzir o pessoal que trabalha comigo. Talvez seja melhor um esquema de buffet de bebidas e comidas. Aí cada um se serve. E ainda tem que colocar gel em cada mesa. Sobre as máscaras: vocês já vêm com elas ou eu forneço junto com o pacote?

– Amigo, não estou entendendo. Eu falei em festa, clandestina, ilegal, organizada por pessoas que não estão nem aí para as normas. E você me vem com distanciamento, gel, máscaras. Acho que não estamos do mesmo lado do balcão. Vocês podem fazer ou não?

DIOMAR KONRAD – Crônica: O estado de aglomeração

– Claro. Mas depende da data. Ainda tenho que pedir permissão na prefeitura para organizar o evento. Numas dessas, com o dinheiro arrecadado, consigo resolver o problema do alvará. Alô? Alô? Ué, desligou… Será que perdeu o interesse… Uma festinha para trezentas pessoas… Ia ser uma boa nesta época.

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