JULIO PUJOL
Professor de História e consultor político
Tema recorrente em sala de aula e que desperta às vezes polêmica, às vezes silêncios, a Alta Política merece algumas palavras.
Para o senso comum Alta Política seria aquilo que “nós” fizemos e somos, e que os “outros”, os políticos, não fazem e não são.
Com essa visão simplista, cada um projeta os seus estereótipos, as suas morais e, ou, os seus complexos e as suas crenças.
Por exemplo, para alguém de fé, Alta Política seria aquela coerente com os seus cânones. Para alguém que paga muitos impostos, a Alta Política seria aquela que propõe reformas.
JULIO PUJOL: “No Alvoroço da Festa” – A Irmandade do Rosário
Para alguém mais correto, seria aquela que não rouba, que não desperdiça recursos, que não é corrupta.
Para aquele que tem uma visão mais voltada para a questão social, a Alta Política é aquela que atende aos mais necessitados.
Para os socialistas é uma. Para os liberais é outra. Para um conservador é uma, para uma feminista, é outra. E assim quase ao infinito.
Para muitos, Alta Política é simples: é uma política em que os políticos trabalham para o povo e não roubam.
Isso, óbvio, é uma projeção infantil cadenciada pela mídia corrente, que não compreende os verdadeiros fundamentos do fazer político.
PUJOL: Testagem pela vida
É uma visão sem sustentação na realidade e sem garantia de eficácia e resolutividade. Um romantismo poético.

Também não é esse o ponto, porque amanhã, se a pauta da mídia for outra, se redefine a definição. E assim ao infinito também.
Ninguém precisa pensar muito. Para exemplificar, em outros tempos da história do Brasil, Alta Política poderia ser aquela dos “50 anos em 5”, do “ame-o ou deixe-o”, aquela que “caçava marajás”, aquela da “coragem de mudar” e assim por diante.
Poderíamos procurar sua definição “ad infinitum” e perceberíamos que o senso comum, mesmo o mais esclarecido, responderia com sua projeção complexual sustentada pela esquizofrenia da massa corrente naquele determinado tempo histórico, daquela determinada realidade, daquele determinado espaço geográfico.
Fácil perceber que por esta estrada andaríamos em círculos, numa alucinante tautologia, puxando-nos para cima pelos cabelos como fez o Barão de Munchausen.
PUJOL – Opinião: Rio Grande do Sul. Conhecer para ser
A política a partir dos gregos. Definindo um critério: Política com Nexo
Mas então, existe Alta Política? O que é a Alta Política? É aquela dos gregos? Da Europa unida? Da esquerda? Da direita? Ou então do centro?
A acrópole para os gregos era definida como o espaço em que se cuidava do todo. Em modo simplista, do grego “acro” é alto, extremidade, e “polis” é cidade, que é a raiz da política.
Então, Polis Alta, Alta Polis, ou Alta Política – o local onde se decidem as grandes questões da comunidade e do Estado. E do homem. O local onde se decide o destino dos homens.
A acrópole espelhava-se na arquitetura humana. O centro de decisão ficava no alto, como o nosso cérebro.
JULIO PUJOL – Opinião: A segunda onda
Desde os gregos, a política está para o homem. O homem perfeito em si; físico, social e espiritual, vivendo em harmonia e em segurança, com justiça, e capaz de desenvolver o seu máximo potencial.
Sim, a raiz de nossa sociedade e de nosso sistema político, latu senso, está aí. Embora, todos saibamos que nos desviamos um pouco destes valores fundantes. Porém, eles de fato são fundantes, constituintes de nosso ser na terra. No caso do Brasil basta analisar os princípios de nossa Carta Maior: o bem-estar do homem está lá, como premissa. E a harmonia e desenvolvimento social também.
Indo ao ponto, Alta Política é a política com nexo. Mas nexo do que e com o quê? Afirmamos acima, é uma política sustentada em valores humanos, portanto humanista. Voltada ao bem-estar e desenvolvimento humanos.

JULIO PUJOL – Opinião: Pela paz civil
E nexo com o quê?
Para entendermos o “nexo” precisamos entender primeiro o “homem”, porquê o nexo é do homem com o seu constituinte, com o seu ser “Em Si”.
Uma dimensão que é anterior a ele, que é maior do que ele, que o constitui e que o conecta com o todo da vida.
Portanto, a ação, o movimento correto de um homem, e particularmente de um político, impactam no todo, na sociedade.
É preciso estudar e compreender essa dimensão em si mesmos. E passar a operá-la, ou seja, um Alto Político deve ser essencialmente coerente com o seu ser. A cada minuto.
Manifesto: Pela vida, pela paz civil e pelos empregos
Depois, em sociedade, é o nexo do homem com o outro homem (e isso é a “democracia”), ou seja, eu existo e existe o outro, de mesma constituição que a minha, mas diferente, com história diferente, desejos diferentes, vocações diferentes; um Eu Lógico-histórico diferente.
E existe o objeto, o fenômeno e minha relação com ele, na qual eu homem devo ser solução, sem ofender o interesse do outro, dentro de uma relação de civilidade, convivialidade e cooperação.
Depois, finalmente, para aqueles que tem a vocação e a vontade para o exercício da responsabilidade política, ensinar e treinar as técnicas e os instrumentos necessários ao operador.
Por isso precisamos estudar. Por isso criei o Instituto Alta Política e a Pós-graduação em Alta Política.
Num próximo texto, sigo adiante.

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