Paralelo 29

500 MIL MORTES PELA COVID NO BRASIL

Foto: José Mauro Batista, Paralelo 29

O Brasil atingiu e ultrapassou na tarde deste sábado (19) a trágica marca de 500 mil mortes decorrentes da Covid-19. São meio milhão de vidas perdidas ao longo de 459 dias ou um ano e três meses de pandemia.

Resultado de uma trágica aposta do governo federal, que não apostou em vacinas e tão pouco apoiou medidas de distanciamento social e uso de máscara, entre outras, como isolamento e assistência financeira para pessoas que perderam renda na pandemia.

Ao contrário, tudo indica que o governo preferiu apostar na tese da chamada imunidade de rebanho, pela qual as pessoas se imunizariam naturalmente ao contrair o coronavírus.

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Um aposta anticiência

Desde o começo da pandemia, o presidente da República, Jair Bolsonaro (atualmente sem partido), minimizou a doença, debochou das medidas sanitárias e colocou as vacinas em dúvida. Postura conhecida como negacionismo da ciência.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pelo Senado para apurar as responsabilidades pela tragédia na pandemia já tem indícios de que o governo federal apostou na tese da imunidade de rebanho.

Por essa tese, que não tem orientação científica, os brasileiros se imunizariam de forma natural ao se expor ao vírus e contrair a Covid-19.

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Apoio a medicamentos ineficazes

Para isso, o governo federal apostou em medicamentos ineficazes para tratar a Covid-19, como clororquina, hidroxicloroquina e ivermectina.

Esses medicamentos são apontados como ineficazes em estudos científicos mais avançados como tratamento da Covid-19.

No entanto, segundo a CPI, o governo federal se apegou a essas drogas como garantia às pessoas para que elas saíssem às ruas e se descuidassem da infecção pelo coronavírus.

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Câmara local aprovou Kit Covid

A própria Câmara de Vereadores de Santa Maria aprovou, neste ano, um projeto de lei preconizando o uso do Kit Covid pela prefeitura.

Como o prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) vetou o projeto, o presidente da Câmara, João Ricardo Vargas (PSDB), Coronel Vargas, transformou a proposta em lei municipal.

Ainda em relação à CPI do Senado, na quinta-feira (17), o relator Renan Calheiros (MDB) divulgou uma lista com 14 nomes que passaram de testemunhas a investigados, entre eles o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga e o ex-ministro da pasta, general Eduardo Pazuello.

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Média de 1 mil mortos por dia

Atualmente, a média geral é de 1 mil mortos por dia. No entanto, a curva epidemiológica avançou bastante desde o começo de março deste ano.

Covas para sepultar vítimas da Covid/Foto: Esídio Mendes, Governo de Rondônia

Na tarde deste sábado, o Brasil chegou a 500.022, enquanto que os casos confirmados da doença chegaram a 17.822.659, conforme o consórcio de veículos de comunicação.

Conforme o consórcio, os primeiros 100 mil óbitos no país foram atingidos 149 dias após o registro do primeiro caso de morte no Brasil.

O Brasil levou mais cinco meses para dobrar esse número e atingir a marca de 200 mil óbitos, já um número absurdo.

Na sequência – e isso mostra o avanço da pandemia -, bastaram apenas 76 dias para o país atingir a marca de 300 mil vítimas fatias.

Em 36 dias, o Brasil chegou a 400 mil mortes. E bastaram menos de dois meses – exatos 51 dias – para a marca de meio milhão de vítimas.

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Comparações com outras tragédias

O jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem na tarde deste sábado na qual faz várias comparações da pandemia no Brasil com outros momentos trágicos da humanidade.

Na crise do oxigênio de Manaus, pacientes foram transferidos/Foto: FAB, Divulgação

A pandemia 3,8 vez mais brasileiros do que a bomba que arrasou a cidade de Hiroshima, no Japão, na Segunda Guerra Mundial, quando mais de 130 mil pessoas morreram.

Já em relação à tragédia de Brumadinho, quando o rompimento da barragem de Brumadinho (MG) matou 270 pessoas, o número da pandemia representa 1.551,9 vezes mais vítimas.

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Alta de casos e mortes

Reportagem publicada na sexta-feira (18) pela Agência Brasil mostra que houve alta no número de infecções e óbitos por Covid-19 no Brasil entre os dias 6 e 12 de junho.

Os dados são do Boletim Epidemiológico Especial Nº. 67 do Ministério da Saúde, referentes à semana epidemiológica 23.

O levantamento mostra que 13.741 pessoas que não resistiram à Covid-19, enquanto na semana anterior o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde trouxe 11.474 óbitos. O número representa um aumento de 20% em relação à semana anterior.

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Após estabilidade, curva sobe

Após um período de estabilidade identificado em semanas anteriores, o levantamento mostra uma retomada do crescimento da curva de óbitos.

A média móvel (número total do período dividido pelos sete dias da semana) de mortes na semana epidemiológica 23 ficou em 1.963.

Novos casos de Covid-19 aumentaram 7% na semana de 6 a 12 de junho. Neste período, foram registrados 467.393 novos casos da doença, contra 435.825 na semana anterior. A média móvel de casos ficou em 66.770.

O resultado da semana epidemiológica 23 mostra retomada de crescimento após a queda identificada na semana 21, que compreende os dias 23 a 29 de maio. A queda no número de casos positivos de covid-19 foi iniciada em março, com um revés na semana epidemiológica 13.

Na semana de 6 a 12 de junho, 16 estados mostraram acréscimo de casos, dois e o Distrito Federal ficaram estáveis e oito tiveram redução.

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Os crescimentos mais intensos ocorreram no Pará (54%) e Rio Grande do Sul (49%). Já as maiores quedas foram no Ceará (-38%) e Acre (-16%).

No caso dos novos óbitos, o número de estados com aumento desse índice foi de 17, enquanto três ficaram estáveis e seis mais o DF tiveram menos mortes novas em relação ao balanço da semana anterior. Os maiores incrementos aconteceram em Roraima (75%) e Paraná (65%). As reduções mais efetivas foram registradas no Acre (-26%) e Espírito Santo (-20%)

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Atrás da Índia em mortes

A Índia seguiu no topo de mortes por semana. Lá foram registrados 23.625 novos óbitos. O Brasil mantém a 2ª colocação. Em seguida vêm Argentina (4.208), Colômbia (3.770) e Estados Unidos (2.598).

Quando considerados números absolutos, o Brasil segue na 2ª posição, atrás dos Estados Unidos (599.664). Quando consideradas as mortes por 1 milhão de habitantes, o Brasil fica na 7ª colocação.

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Em números absolutos

Na comparação em números absolutos, o Brasil fica na 3ª posição, atrás dos EUA (33,4 milhões) e Índia (29,4 milhões). Na comparação proporcional, por 1 milhão de habitantes, o Brasil ocupa a 17ª posição.

O Boletim Especial Epidemiológico pode ser lido na íntegra no site do Ministério da Saúde.

(Com informações do G1, Folha de S.Paulo e Agência Brasil)

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