O Brasil atingiu e ultrapassou na tarde deste sábado (19) a trágica marca de 500 mil mortes decorrentes da Covid-19. São meio milhão de vidas perdidas ao longo de 459 dias ou um ano e três meses de pandemia.
Resultado de uma trágica aposta do governo federal, que não apostou em vacinas e tão pouco apoiou medidas de distanciamento social e uso de máscara, entre outras, como isolamento e assistência financeira para pessoas que perderam renda na pandemia.
Ao contrário, tudo indica que o governo preferiu apostar na tese da chamada imunidade de rebanho, pela qual as pessoas se imunizariam naturalmente ao contrair o coronavírus.
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Um aposta anticiência
Desde o começo da pandemia, o presidente da República, Jair Bolsonaro (atualmente sem partido), minimizou a doença, debochou das medidas sanitárias e colocou as vacinas em dúvida. Postura conhecida como negacionismo da ciência.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pelo Senado para apurar as responsabilidades pela tragédia na pandemia já tem indícios de que o governo federal apostou na tese da imunidade de rebanho.
Por essa tese, que não tem orientação científica, os brasileiros se imunizariam de forma natural ao se expor ao vírus e contrair a Covid-19.
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Apoio a medicamentos ineficazes
Para isso, o governo federal apostou em medicamentos ineficazes para tratar a Covid-19, como clororquina, hidroxicloroquina e ivermectina.
Esses medicamentos são apontados como ineficazes em estudos científicos mais avançados como tratamento da Covid-19.
No entanto, segundo a CPI, o governo federal se apegou a essas drogas como garantia às pessoas para que elas saíssem às ruas e se descuidassem da infecção pelo coronavírus.
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Câmara local aprovou Kit Covid
A própria Câmara de Vereadores de Santa Maria aprovou, neste ano, um projeto de lei preconizando o uso do Kit Covid pela prefeitura.
Como o prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) vetou o projeto, o presidente da Câmara, João Ricardo Vargas (PSDB), Coronel Vargas, transformou a proposta em lei municipal.
Ainda em relação à CPI do Senado, na quinta-feira (17), o relator Renan Calheiros (MDB) divulgou uma lista com 14 nomes que passaram de testemunhas a investigados, entre eles o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga e o ex-ministro da pasta, general Eduardo Pazuello.
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Média de 1 mil mortos por dia
Atualmente, a média geral é de 1 mil mortos por dia. No entanto, a curva epidemiológica avançou bastante desde o começo de março deste ano.

Na tarde deste sábado, o Brasil chegou a 500.022, enquanto que os casos confirmados da doença chegaram a 17.822.659, conforme o consórcio de veículos de comunicação.
Conforme o consórcio, os primeiros 100 mil óbitos no país foram atingidos 149 dias após o registro do primeiro caso de morte no Brasil.
O Brasil levou mais cinco meses para dobrar esse número e atingir a marca de 200 mil óbitos, já um número absurdo.
Na sequência – e isso mostra o avanço da pandemia -, bastaram apenas 76 dias para o país atingir a marca de 300 mil vítimas fatias.
Em 36 dias, o Brasil chegou a 400 mil mortes. E bastaram menos de dois meses – exatos 51 dias – para a marca de meio milhão de vítimas.
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Comparações com outras tragédias
O jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem na tarde deste sábado na qual faz várias comparações da pandemia no Brasil com outros momentos trágicos da humanidade.

A pandemia 3,8 vez mais brasileiros do que a bomba que arrasou a cidade de Hiroshima, no Japão, na Segunda Guerra Mundial, quando mais de 130 mil pessoas morreram.
Já em relação à tragédia de Brumadinho, quando o rompimento da barragem de Brumadinho (MG) matou 270 pessoas, o número da pandemia representa 1.551,9 vezes mais vítimas.
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Alta de casos e mortes
Reportagem publicada na sexta-feira (18) pela Agência Brasil mostra que houve alta no número de infecções e óbitos por Covid-19 no Brasil entre os dias 6 e 12 de junho.
Os dados são do Boletim Epidemiológico Especial Nº. 67 do Ministério da Saúde, referentes à semana epidemiológica 23.
O levantamento mostra que 13.741 pessoas que não resistiram à Covid-19, enquanto na semana anterior o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde trouxe 11.474 óbitos. O número representa um aumento de 20% em relação à semana anterior.
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Após estabilidade, curva sobe
Após um período de estabilidade identificado em semanas anteriores, o levantamento mostra uma retomada do crescimento da curva de óbitos.
A média móvel (número total do período dividido pelos sete dias da semana) de mortes na semana epidemiológica 23 ficou em 1.963.
Novos casos de Covid-19 aumentaram 7% na semana de 6 a 12 de junho. Neste período, foram registrados 467.393 novos casos da doença, contra 435.825 na semana anterior. A média móvel de casos ficou em 66.770.
O resultado da semana epidemiológica 23 mostra retomada de crescimento após a queda identificada na semana 21, que compreende os dias 23 a 29 de maio. A queda no número de casos positivos de covid-19 foi iniciada em março, com um revés na semana epidemiológica 13.
Na semana de 6 a 12 de junho, 16 estados mostraram acréscimo de casos, dois e o Distrito Federal ficaram estáveis e oito tiveram redução.
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Os crescimentos mais intensos ocorreram no Pará (54%) e Rio Grande do Sul (49%). Já as maiores quedas foram no Ceará (-38%) e Acre (-16%).
No caso dos novos óbitos, o número de estados com aumento desse índice foi de 17, enquanto três ficaram estáveis e seis mais o DF tiveram menos mortes novas em relação ao balanço da semana anterior. Os maiores incrementos aconteceram em Roraima (75%) e Paraná (65%). As reduções mais efetivas foram registradas no Acre (-26%) e Espírito Santo (-20%)

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Atrás da Índia em mortes
A Índia seguiu no topo de mortes por semana. Lá foram registrados 23.625 novos óbitos. O Brasil mantém a 2ª colocação. Em seguida vêm Argentina (4.208), Colômbia (3.770) e Estados Unidos (2.598).
Quando considerados números absolutos, o Brasil segue na 2ª posição, atrás dos Estados Unidos (599.664). Quando consideradas as mortes por 1 milhão de habitantes, o Brasil fica na 7ª colocação.
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Em números absolutos
Na comparação em números absolutos, o Brasil fica na 3ª posição, atrás dos EUA (33,4 milhões) e Índia (29,4 milhões). Na comparação proporcional, por 1 milhão de habitantes, o Brasil ocupa a 17ª posição.
O Boletim Especial Epidemiológico pode ser lido na íntegra no site do Ministério da Saúde.
(Com informações do G1, Folha de S.Paulo e Agência Brasil)

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