Não. Não se trata do planeta Terra, mas sim do deputado federal Osmar Terra, cujo depoimento está marcado pela CPI da Covid no Senado.
O parlamentar gaúcho, conhecido por suas bravatas, será ouvido ainda na condição de testemunha sobre sua contribuição para a tragédia que tirou a vida de mais de 500 mil brasileiros na pandemia de Covid-19.
Sim, Osmar Terra nunca pediu desculpas por ter minimizado a pandemia, debochado do vírus e defendido a tese esdrúxula da imunidade de rebanho, pela qual os brasileiros conseguiriam a imunidade natural ao se infectarem pelo novo coronavírus.
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LONGE DEMAIS
Terra foi mais longe e defendeu medicamentos que, inicialmente, tidos como esperança para o tratamento da doença, mais tarde mostraram-se ineficazes para tratar a Covid, entre os quais a cloroquina, a hidroxicloroquina e a ivermectina.
De acordo com a ala da CPI que vê o governo Bolsonaro como responsável maior pela tragédia – já que o presidente Jair Bolsonaro insiste em não usar máscara, desdenhar as vacinas e propagandear medicamentos ineficazes -, Terra teria participação na montagem de um gabinete paralelo ou gabinete das sombras ou, ainda, das trevas.
Esse gabinete, constituído por médicos, empresários e políticos negacionistas, teria a incumbência de dar sustentação à tese da imunidade de rebanho sem vacinas. E deu no que deu: um país com a vacinação a conta-gotas e uma montanha de doentes e mortos.
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Vídeo de uma reunião realizada em setembro do ano passado, divulgado pelo portal Metrópoles há poucos dias, mostra Terra e outros membros do tal gabinete paralelo discutindo a pandemia com Bolsonaro.
ERROU. E ERROU FEIO
Não é o colunista quem vai julgar Osmar Terra, mas é imperioso se posicionar, em respeito às vidas perdidas e aos familiares que ficaram, muitos deles bebês órfãos de suas mães. Quem não se sensibilizar com isso, deve refletir profundamente.
No mínimo, Terra errou. E errou feio. Em mais de uma ocasião, o deputado fez declarações desastrosas e totalmente equivocadas.
Em 18 de março de 2020, por exemplo, afirmou que o novo coronavírus mataria menos que o H1N1, que vitimou 2.098 pessoas no país em 2009.
Em 7 de abril do mesmo ano, ele errou feio outra vez ao afirmar que a Covid mataria menos que a gripe comum no Rio Grande do sul, chutando algo em torno de 950 mortos, marca alcançada três dias depois.
Ainda em abril de 2020-, ele chutou outra previsão que não se confirmou, ao afirmar que morreriam entre 3 e 4 mil brasileiros.
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PEGOU COVID E NÃO MUDOU

Meses mais tarde, também em 2020, o coronavírus pegou o deputado e o deixou quase duas semanas hospitalizado.
Mesmo assim, após dar alta, Terra continuou insistindo na sua desastrosa tese de que a pandemia não é, assim, tão grave.
Em entrevista à revista Veja, ainda no ano passado, logo após se recuperar da Covid-19, disse que continuava com a mesma opinião.
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VÍDEO DA CANETA, MAIS UMA PROVA
Terra tem insistido na tal “imunidade de rebanho”, um nome selvagem para “imunidade coletiva”, algo bastante questionado por colegas dele e por especialistas mundo afora.
Em postagem em seu perfil no Facebook, no dia 18 de dezembro do ano passado, Terra comemora o fato de ter sido presenteado por Bolsonaro com a caneta com a qual o presidente assinou a liberação de dinheiro para a compra de vacina.
Veja o vídeo em que Bolsonaro, ao presentear Terra com uma caneta, declara que ele é seu conselheiro em questões de saúde.
E encerra: “Seguimos na luta por uma vacina segura para a população, com tempo de testagem, para prevenir um futuro surto do vírus!”
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ERRAR É HUMANO; INSISTIR JÁ É OUTRA COISA
Para Terra, assim como para Bolsonaro, a Coronavac, que eles chamaram de “vacina chinesa do Dória”, não seria segura.
No entanto, o imunizante viabilizada pelo Instituto Butantan e diga-se, com justiça, pelo governador de São Paulo, João Dória (PSDB), mostrou-se eficaz.
Basta vermos a situação de Serrana, município do interior paulista, que é a prova concreta de que as vacinas – incluindo a Coronavac, usada lá – são as armas mais eficazes contra o coronavírus.
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DEVE, NO MÍNIMO, PEDIDO DE PERDÃO
O deputado Terra continua devendo um pedido de perdão ao Brasil, sobretudo aos milhares de brasileiros que choram a perda de seus entes queridos. Sobretudo para as vítimas asfixiadas de Manaus. Quem sabe ele não aproveita e faz isso na CPI.
Errar é humano, mas insistir no erro, como no caso de Osmar Terra, já pende para outra coisa!
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O EFEITO NO ELEITORADO DE TERRA
Não se pode dizer que as posições de Osmar Terra na pandemia prejudiquem seu desempenho eleitoral em busca de mais um mandato nas eleições do ano que vem.
Afinal, no Rio Grande do Sul não faltam negacionistas de todo tipo, desde os “cegos” pelas posições do presidente como pessoas ingênuas e mal esclarecidas que caíram no “conto da carochinha”. No entanto, os votos do eleitorado negacionista tende a se diluir entre candidatos negacionistas.
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O QUE DIZER A FAMILIARES DE VÍTIMAS?
O que Terra dirá aos familiares e amigos dos mais de 30 mil gaúchos que a pandemia levou? Seus cabos eleitorais e apoiadores terão coragem de bater na porta das casas dos gaúchos para pedir votos?
Que propostas ele apresentará para convencê-los de que merece o voto dos gaúchos? E mais: quem se animará a fazer dobradinha com Osmar Terra? Essa o colunista paga pra ver.
Se for mesmo candidato, Terra poderá até mesmo se eleger, mas que terá um trabalho hercúleo para convencer eleitores, ah isso ele terá!

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