ODILON CUTI – Professor
Sabe aquela música que te faz balançar a alma, questionando: “ Diz aí/
Se você visse alguém beijando o amor da sua vida /Você beberia ou não beberia?/ Você beberia!
Bem, já falamos aqui, que amor nasce de uma bebedeira e é carência constante.
Sendo assim, sofrer por amor faz parte do prontuário da vida. Sofrer é um risco que todos corremos. Ainda mais quando se trata do “amor” da sua vida.
Trago aspas! Se, porventura, a música de Zé Neto & Cristiano tem razã , amor da sua vida é algo muito subjetivo.
Não se trata de desfazer ou apequenar o amor de sua vida. De forma alguma! A proposta do texto desta semana é questionar o sentido de “um” amor pra sempre, frente a outro que não perdura por razões adversas.
Sejamos coerentes, todo mundo busca um novo amor quando o outro já não lhe serve mais. Mais cedo ou mais tarde, novos projetos a dois tomam conta do que outrora eram juras eternas.
O amor (im)possivel de Dona Florinda e professor Girafales, no seriado Chaves, nos lembra que amores para sempre , sempre podem vir a acontecer. Por outro lado, Seu Madruga sofre por um amor não correspondido.
CRÔNICA – Desejo e carência: faces de um mesmo amor
Sem sombra de dúvidas, Seu Madruga personifica a maioria de nós. Seres buscantes qu , por ora, não se veem compreendidos pelo par idealizado.
Idealizamos! Isto não é novidade. E, carentes que somos (Poros que o diga), projetamos no outro um desejo que é nosso. Muitas vezes, somente nosso.
Segundo o poeta santiaguense Caio Fernando Loureiro de Abreu, conhecido carinhosamente por Caio Fernando Abreu ( 1948 – 1996 ) “ Você começa a precisar de outros lugares. E de outras pessoas. E de bebidas mais fortes”
Amores e desamores são graduais com consequência opostas.
Detalhe é que deixar de amar pode ser quase impossível, em algumas situações.
Resta-nos estarmos seguros o bastante de tudo o que temos a oferecer e da qualidade do afeto que merecemos ter de volta. É assim que não aceitaremos qualquer coisa, qualquer um.
Cadê, você, Nietzsche, para desvendar os mistérios da desilusão e do mal necessáŕio chamado “Amor” ?
Se o sofrimento dos tempos da modernidade se traduzem em uma espécie de hipersensibilidade e intolerância à dor, o remédio proposto para este “mal” parece ser paradoxal: “a melhor receita para a miséria é a própria miséria” (Gaia Ciência, p. 125).
Crônica: Amor que se perde é amor que se aprende
Neste sentido, podemos dizer que a dor é a travessia necessária para o ultrapassamento da própria dor. Não fosse assim, os cantores sertanejos estariam falidos, pois, se valem dos devaneios do amor para alimentarem seus cofres.

Se você chegou a este ponto derradeiro do texto e pensou: “Onde estão as respostas para a dor que o amor nos faz passar?” Das desilusões, traições e feridas que persistem por muito tempo na vida de cada um? Lamento, mas quem oferece receitas de amor para os outros, pouco ( ou nada ) usa em seu cotidiano.
O objetivo foi fazer pensar, repensar!! Sendo assim, não é o desejo que, insatisfeito, vai buscar a plenitude e a satisfação, mas é da própria potência que surge o desejo. O homem da beatitude desta forma acolhe a vida, concilia-se com o acaso e, a partir daí, torna-se desejante.
ODILON CUTI – crônica: A vida que se vive, na vida que se vai
O mestre não sabe qual ação faz passar da infelicidade para a felicidade, não sabe o que dizer a este “homem cansado de sofrer, candidato à beatitude, a uma beatitude assaz calma”, talvez porque não seja possível fazer uma transição gradual da infelicidade para a felicidade.
Porque perder nos faz aprender. Porque aprender nos faz humanos. Porque, humanos que somos, vamos bebendo (e não bebendo ),
Ah, Zé Neto & Cristiano, vamos responder com sinceridade: “beberíamos”! Desde que tivéssemos a certeza de que aquele seria (mesmo) o amor de nossas vidas. Porque beber por quem não vale um gole é amassar a dignidade.

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