BELINDA PEREIRA – Psicóloga e mestre em Gerontologia
O aumento da qualidade de vida gerou as “novas velhas” e os “novos velhos”, um público que vem para quebrar com modelos hegemônicos impostos pela sociedade que ainda insistem em propagar que todos os velhos são doentes e inúteis, negando, assim, a sua importância e seu valor social ao longo dos tempos.
Basta você sair por aí que verá muitos deles saudáveis, independentes e autônomos, envolvidos socialmente e que não pensam em se aposentar, contradizendo o duro discurso de uma sociedade que insiste em maldizer que a pessoa velha é descartável, ultrapassada e fora de moda.
Não é o caso de negar que a velhice depõe contra a pessoa em virtude de uma maior fragilidade decorrente de condições adversas do meio físico, social ou de questões afetivas.
BELINDA PEREIRA: Negar para não sofrer
Porém, isso não é motivo para se negar o desejo e o direito deste público em permanecer ativo e independente pelo tempo que desejar e que lhe for possível, pois cabe a eles e a mais ninguém decidir quando chegou a hora de parar.
Para tanto, necessitam encontrar condições favoráveis para alcançar tal façanha, como possuir uma boa renda para morar bem, alimentar-se, ter acesso à educação, estar integrado em uma rede de apoio que favoreça as relações interpessoais, entre outros fatores que contribuirão para que alcancem uma velhice em condições dignas e favoráveis de saúde física e mental, o que, infelizmente, ainda não está ao alcance de todos.
BELINDA PEREIRA: “Vassoura nova é que varre bem”
Apesar do discurso hegemônico que diz que o velho é um incapaz, as coisas começam a mudar e esse olhar negativo sobre a velhice passa a perder força diante da maior participação do velho em diferentes esferas da sociedade.
Tal mudança de comportamento acontece devido ao desejo que a pessoa tem de continuar fazendo parte da sociedade e disposta a lutar por seus direitos básicos.
Para que isso aconteça, precisam do apoio da família e da sociedade como um todo. Vale sublinhar que mudanças só acontecem quando os envolvidos estão determinados a se responsabilizar por suas vidas.
É certo esclarecer que envelhecer é um processo singular, pois enquanto uns encontram-se cheios de vida e com planos para o futuro, outros já abandonaram seus projetos. Sendo a velhice o último evento da vida, não é estranho desejar que possa ser quase plena. Pense nisso.

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