ODILON CONCEIÇÃO CUTI – Professor de Filosofia, Sociologia e Ética nas Relações Humanas
O filósofo grego Epicuro ( 341-270 a.c ) tinha sua escola em um jardim – Kepos – com árvores frutíferas que ele mesmo cultivava. Seus cursos eram conversações amigas sob as sombras generosas das árvores. Seus opositores filosóficos falavam dos “jardins de Epicuro” como um “lugar de prazeres onde os discípulos deliciam-se em gozos refinados”.
No entanto, o Kepos é um espaço de encontro à distância das questões e distúrbios da vida pública. Seriam as redes sociais os Kepos pós-modernos?
Afirmar que elas – redes sociais – são um lugar de prazer e gozo refinado, talvez seja demasiado. Porém, dizer que são um espaço de conversação sob as sombras das vontades humanas não é uma inverdade absoluta. Elas são, sim, um paradoxo constante. Alternando entre o vazio do cotidiano e a necessidade de estabelecer relações a qualquer custo.
Os valores virtuais e os paradoxos da existência (Parte 1)
Formam-se, assim, generosos sentimentos em nome da philia (amizade). Um passeio existencial à moda de Nietzsche, aliado ao dilema da vida civilizada e controversa da busca individual de gratificação e necessidade de relações sociais como trata Freud. São, ainda, frutos de nossa compreensão da tensão social, elemento bastante primitivo neste ser – HUMANO.
O que se reproduz nas redes sociais é de “foro íntimo” num caráter público. Representam a crise existencial em que nos encontramos neste mundo pós-moderno de relações recicláveis, que permeia todos e cada um a todo instante. A de se levantar o conceito de “amigo” nas redes sociais.
ODILON CUTI – crônica: A vida que se vive, na vida que se vai
Esses contatos não representam em nada o conceito primaz do termo. Baseados em perfis que comumente não apresentam a verdade sobre si e sobre o outro. A natureza da amizade ultrapassa as meras relações virtuais.
Não obstante, a grosso modo, poucos contatos são duradouros, práticos e empíricos. Cada ato, nas redes sociais, são o último e o primeiro, pois sobre ele não pesa, por assim dizer, nenhum passado, e, talvez, nenhuma continuidade.
É um “estar” transitório. Um tempo que passa num mundo que afirma não ter tempo para pensar. Tempo útil ou não? Facilitadores de relações, usados em prol do progresso?
CRÔNICA: Amor que maltrata é amor que ensina. Será?
Não exclui-se, porém, sua função de democratização da comunicação e de novas linguagens, mas sim, a liquidez e a vulnerabilidade das relações que se formam a partir do mundo virtual.
Perceba que em qualquer demonstração de conhecimento no Facebook – por exemplo – que fuja o comum , “derrama-se” uma enormidade de elogios e comentários.
Eis que se estabelece o “pensador” do Facebook. O Guru da inteligência.

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