ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – Escritor
Eu faço parte daqueles que, volta e meia, compra um livro que já possuía. O exemplar chama pela gente lá na livraria e ao chegarmos em casa percebemos que tem um irmãozinho gêmeo na estante. Saldos em feiras, então… aumenta a probabilidade.
Alguns clássicos tenho vários exemplares de edições e traduções diferentes – Martin Fierro e Don Segundo Sombra são dois exemplos –, mas aí é proposital. No caso que relato tem um pequeno agravante. É o livro que se enquadra naqueles que a gente compra e não lê.
Cronista da Terra dos Poetas passa a publicar no Paralelo 29
Comprei, e já faz um tempinho, o livro “O dia em que a poesia derrotou um ditador” de Antonio Skármeta. Um outro tempinho após comprei novamente. São dois tempos que se apagam na memória.
Só que não li em nenhuma das vezes e não havia me dado por conta da duplicidade. Só fui perceber, há duas semanas, ao fazer umas modificações na biblioteca. E estavam lá os dois intocáveis exemplares do Skármeta e da mesma edição, em andares diferentes na estante. Eu possuía um livro duplicado e não lido por duas vezes.
Logicamente, para me ressarcir intelectualmente das duas compras, levei um dos exemplares para as minhas breves férias de julho. [Se é que um aposentado tira férias em julho.]
Skármeta faz uma narrativa que vai bem ao encontro da nossa conjuntura. E que preocupa os brasileiros da atualidade. O enredo se passa no Chile da ditadura de Pinochet em 1988.
São 220 páginas que nos explicitam o que acontece com os cidadãos que se opõem a uma ditadura. Evidencia a perseguição política e a tortura. Prisão e morte protagonizado pela o estado de exceção.
É um livro que pretendo reler. Aí eu terei lido duas vezes o mesmo livro que não havia lido por duas vezes. E espero que, aqui no Brasil a democracia se estabilize e vença, como na narrativa do chileno.

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