Paralelo 29

MEL INQUIETA: Dois poemas para refletir

Mel Inquieta, jornalista e poeta/Foto: Arquivo Pesoal, Paralelo 29

A jornalista e poeta Melina Guterres, Mel Inquieta, usa as técnicas da construção poética para falar de temas cotidianos, daqueles que estão presentes no dia a dia das pessoas.

Como diz o poema “TODO DIA”, “tem um poema quebrando silêncios”, Mel passeia pelas palavras e constrói uma bela alegoria sobre a vida, que se encaixa perfeitamente nos tempos atuais.

Em TRINCHEIRAS INVISÍVEIS, a poeta deixa fluir sua sensibilidade criadora para falar que “na trincheira da mata selvagem, uma Amazonas enchia meu cálice com a pureza do rio das dores, das lágrimas de múltiplas mulheres”.

A produção poética de Mel Inquieta pode ser conferida no Instagram, onde ela tem o perfil “Poesia com Mel”, e também nas redes sociais da Rede Sina, plataforma de conteúdo que ela criou e administra.

Arte e inovação dão o tom a novos programas da Rede Sina

TODO DIA

Tem um poema na esquina

Na bolsa que gira

Tem um poema na louça suja

No jantar mais frio que carne crua

Tem um poema na mãe,

Na menina, na idosa

Tem um poema atravessando

O tempo

Tem um poema quebrando silêncios

Tem colheres sendo usadas

Tem uma nova sopa

A poesia de Mel Inquieta no Paralelo 29

Um sal ação

Uma mulher fazendo o próprio pão

Tem uma legião

Um país em mãos

Um Cristo morto na esquina

Todo dia um número ressuscita

Do pó à capa de notícias

Todo dia uma mulher é vítima

Um novo tempero soluça, implora, grita:

Empatia!

Está servido o jantar?


SABRINA SIQUEIRA : Santa-mariense lança seu primeiro romance

TRINCHEIRAS INVISÍVEIS

Era meio sol

Meia foice

Meio imundo

Obscuro

Tinha um demônio nas antenas

Nos raios da comunicação

Tinha um facão

Na trincheira

LUDWIG LARRÉ – Crônica: Teteza

Da mata selvagem

Uma Amazonas

Enchia meu cálice

Com a pureza do rio das dores,

das lágrimas de múltiplas mulheres

No peito, o colo,

Meu rosto era pintado

Com o traço da guerra

Que há pouco não via,

Como poderia?

Se a margem do rio

Não permitia?

– Nem todo horizonte

DIOMAR KONRAD – Crônica: O petróleo não é nosso

É fronteira

Nem toda mulher

Restrita

Repetia

A sábia índia

Num canto

No balanço

Do um corpo

Que protegia

Outro corpo

Num leve sono

De recomposição

Até a próxima

Trincheira

Compartilhe esta postagem

Facebook
WhatsApp
Telegram
Twitter
LinkedIn

Publicidade

Relacionadas

Mais Lidas

Nothing found!

It looks like nothing was found here!