GILSON PIBER
Jornalista
Entramos em abril de 2021 e o culto à vida segue ameaçado pelas pessoas que ainda negam a pandemia de covid-19.
Mesmo com mais de 330 mil mortos e rumo aos 13 milhões de casos confirmados, muitos brasileiros e muitas brasileiras vivem como se o vírus não existisse.
As orientações de distanciamento social, de uso correto da máscara e de higienização das mãos são, muitas vezes, ignoradas.
GILSON PIBER – Opinião: Discursos atrasados
A cada fim de semana e durante feriados, principalmente, as notícias de aglomerações em festas e reuniões clandestinas ganham as manchetes na mídia.
É um festival de horrores, que culmina com hospitais lotados, profissionais da saúde exaustos pela desgastante jornada de trabalho e famílias dilaceradas pela morte de entes queridos em decorrência da covid-19.
GILSON PIBER – Opinião: Música e escolhas
É incrível, mas muitas pessoas jogam contra si e levam outras para um caminho sem volta, no qual a vida não tem valor.
É a promoção da autodestruição que afeta a coletividade, algo impensável em pleno século 21.
Diante destes fatos e com a vacinação ainda em escala lenta, a angústia aumenta a cada dia entre as pessoas que acreditam ou acreditavam em dias melhores.
Afinal de contas, há muito desencontro nas falas daqueles que estão envolvidos diretamente na tomada de decisões para conter a pandemia e acelerar o processo de vacinação. A falta de sintonia só gera mais dúvidas entre a população.
GILSON PIBER – Opinião: Vacinação precisa avançar
Se não bastasse tudo isso, golpistas desviam e vendem cilindros de oxigênio, comercializam e aplicam vacinas falsas, usam a Internet para tirar dinheiro e lograr pessoas trabalhadoras, entre outras falcatruas praticadas.
O mau-caratismo faz parceria com o vírus e quem age com honestidade paga a conta mais uma vez.
GILSON PIBER – Opinião: O dicionário e a perversidade
Aliás, a pandemia também serve para colocar à mostra, de forma clara, aqueles e aquelas que desqualificam a ciência, os serviços e os servidores públicos, as universidades e os institutos federais, a democracia, bem como têm predileção por intervenção militar, censura, ditadura e fechamento de instituições.
Millôr Fernandes disse, certa vez, que “a boca é o aparelho excretor do cérebro.” Em tempos de pandemia, mesmo diante de vozes divergentes, opinar ainda é possível. Ao menos por enquanto.

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