CUCA VICEDO – Publicitária e comentarista de Cinema
Estamos vivendo um período de muito ódio, falta de educação, mentiras, falsidades. Uma época em que as pessoas descaradamente pisam sobre as outras por interesse, mesquinhez, corrupção. Existem pessoas que se fecham e se isolam a tudo isso, outras encaram como um campo de guerra e travam batalhas contra tudo e todos.
Dentro deste universo foi fundamental rever um dos últimos filmes de conteúdo e sérios que foram produzidos, em que uma pessoa sensível e fracassada encara esses fatos de sua vida e se torna um vilão.
A moral aqui não é se tornar um vilão e sair por aí cometendo assassinatos. Muito pelo contrário, a moral da vida e do filme é que mesmo que as pessoas almejem o bem, o mal as fascina.
CORINGA é um filme de 2019, que acabou de entrar no catálogo do streaming HBO MAX e, apesar de estar qualificado dentro dos filmes de Super Heróis, o filme é exatamente o contrário, trazendo o contraponto de um dos mais famosos vilões das Histórias em Quadrinhos.
O que tem de monstruoso aqui é a gigante interpretação de Joaquin Phoenix, que colocou no bolso tudo que foi feito em termos de filmes de heróis de músculo e capa. Ele personifica o personagem Arthur Fleck com toda a sensibilidade intimista e sua evolução até chegar ao grande anti-herói com muitos adeptos ao seu culto de ódio e rancor. E, dentro deste grandioso universo de filmes superficiais e sem cérebro que os streamings andam produzindo, uma reprise destas é muito mais que bem-vinda.
O filme é intenso, um roteiro muito bem elaborado, um elenco de se tirar o chapéu, direção de arte e fotografia fabulosa e uma trilha sonora fantástica que trilha, literalmente, cada passo do personagem extremamente bem interpretado pelo protagonista. O ator se jogou de corpo e alma na dor de um ser humano rejeitado, triste, sem apoio de ninguém, solitário. Enfim, é de arrepiar. E o filme veio antes da pandemia e continua mais atual do que nunca. Esse é o valor de qualquer obra, é atemporal. Coringa merece todos os créditos e merece que, quem ainda não viu, veja e, quem viu, reveja.
A metáfora da história é mais verdadeira do que nunca: onde fica o indivíduo afastado da sociedade e quando essa pede por ele novamente?
Quantas vezes fomos enganados ou enganamos, mentimos ou sofremos pela mentira e mais julgados por quem não tem moral nenhuma para julgar nada. E você? Já encarou seu Coringa interior

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